segunda-feira, 17 de abril de 2017

Biomas preocupam a CNBB,
mas não as dezenas de milhões de católicos
que abandonaram a Fé

Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, São Cristóvão. Abandonada como muitas outras, mas o que importa é o bioma!
Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, São Cristóvão.
Abandonada como muitas outras, mas o que importa é o bioma!
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A Campanha da Fraternidade de 2017 abordou mais uma vez a questão ambiental, como já fez em edições anteriores. O tema foi “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”.

Quando falei isto a meus amigos, aliás muito enfronhados na problemática ambientalista brasileira, iniciou-se uma conversa amável que degenerou na máxima confusão.

Afinal de contas o que e que é a CNBB entende como bioma e o que tem a ver essa campanha com a religião católica, perguntavam todos.

Por isso quando vi o artigo “Biomas brasileiros — cultivar e cuidar” do Emmo. Cardeal arcebispo de São Paulo D. Odílio Scherer, achei que iria a ouvir algo bem definido e esclarecedor.

E acabei estarrecido pela radicalidade dos propósitos expostos com dulçurosa redação.

A escolha do tema foi influenciada, escreveu o prelado, pela encíclica ‘Laudato si’, do papa Francisco (2015).

Voltou-me à mente a euforia das esquerdas latino-americanas mais extremadas com dita exortação.

Veja: Encíclica Laudato Si’ causa perplexidades entre os católicos e regozijo nos extremismos de esquerda

Mas, o alto eclesiástico, explicou que a CNBB com essa campanha na Quaresma visou convidar os cristãos a refletirem sobre as implicações da sua fé em Deus.

Fazenda Buriti invadida e incendiada por índios teleguiados pelo CIMI
Fazenda Buriti invadida e incendiada por índios teleguiados pelo CIMI
Ele reconhece que o tema soa abstrato e distante da religião, objeto de ocupação apenas para especialistas e ambientalistas de carteirinha.

Leia-se MST, CIMI, ONGs nacionais e internacionais, Funai e outros tentáculos mais ou menos combinados com a CNBB para fazer a revolução no Brasil.

O arcebispo paulista também reconhece que “para a maioria das pessoas, talvez o conceito ‘bioma’ seja até desconhecido”.

E explica que “trata-se de um ambiente da natureza que tem um conjunto de características próprias e hospeda diversas espécies vivas bem harmonizadas com esse ambiente”.

Como é que as invasões das fazendas por indígenas atiçados pelo CIMI e denunciadas documentadamente na CPI de Mato Grosso do Sul servem para “harmonizar” as ‘espécies vivas do ambiente’ jogando num luta fratricida uns brasileiros contra outros? Visivelmente há muitas coisas que não colam.

Quanto mais lia, menos entendia... É um modo de dizer, acho que entendia cada vez mais.

Prosseguindo me deparei com que “todos os biomas brasileiros estão ameaçados e a principal ameaça é representada pela interferência indevida do homem neles. (...)

Campanha da Fraternidade 2017 se preocupou dos 'biomas'. E das dezenas de milhões de católicos que deixaram a religião?
Campanha da Fraternidade 2017 se preocupou dos 'biomas'.
E das dezenas de milhões de católicos que deixaram a religião?
“certas formas de manejo florestal, agricultura ou criação de gado, e mesmo de urbanização, podem produzir profundas alterações no delicado equilíbrio dos biomas.

“Por motivos econômicos, a natureza acaba sendo vista como fonte de recursos disponíveis, sobre os quais o homem avança com a vontade de se apropriar, sem considerar as consequências presentes e futuras de sua intervenção no ambiente da vida.

“A natureza ferida e desrespeitada pode voltar-se contra o próprio homem, que se torna a sua vítima”.

Simples: a gloriosa sucessão de gerações de produtores agropecuários que regaram o solo brasileiro com seu sangue, com seu suor e suas lágrimas para tirar o Brasil da incultura e da barbárie são os maiores inimigos do País (ou de seus biomas)!

E Deus que mandou os homens ocuparem a Terra toda, será por caso inimigo dos biomas?

Então a Campanha da Fraternidade 2017 visa conscientizar os cristãos dessa realidade execrada pela CNBB após piruetas verbais bem do gosto dos “verdes” e das esquerdas subversivas.

Dita conscientização, acrescenta o artigo comentado, não fica no campo. Deve ir por cima das cidades e de seus habitantes que constituem a larga maioria da população nacional.

E como na cidade não existe o famoso “bioma” na acepção adotada pela CNBB, o artigo excogita a existência de um “bioma urbano” . Nele ‘o ser humano é seu principal agente ativo e passivo’.

Por que não mencionar também os passarinhos, animais de afeição, e em ultima análise, insetos, baratas e ratos que pululam desagradavelmente nas cidades, se a acepção adotada é para ser levada a sério?

O Exmo. arcebispo reconhece por fim que haverá “quem pergunte: por que motivo a Igreja Católica se preocupa com uma questão que não é propriamente religiosa? E por que promove essa reflexão justamente no tempo da Quaresma, marcadamente religioso e cristão?”

Nesta capelinha de Barra do Guaicu, MG, o bioma parece ter progredido.
Nesta capelinha de Barra do Guaicu, MG,
o bioma parece ter progredido.
É a pergunta de todo mundo que tem um resto de fé e de lógica.

E responde que “a atitude religiosa decorrente da fé cristã não se expressa apenas em cultos, ritos, preces e exercícios propriamente espirituais. A fé cristã integra todas as dimensões da vida e da ação humana e as realidades do mundo”.

Mas é essa fé católica que está sendo abandonada no Brasil, não só na prática nas igrejas mas em “todas as dimensões da vida e da ação humana e as realidades do mundo”!

A grei confiada à CNBB está se dispersando a ponto de ficar reduzida a um mero 50% – segundo dados do IBGE e da Datafolha – quando em 1940 os católicos eram 95% segundo o mesmo IBGE? 

Essa perda massiva da fé católica não pede uma retomada fervorosa da pregação que inspirou o nascimento do Brasil e seu desenvolvimento através dos séculos de sua história?

A CNBB não responde ao clamor dessas dezenas de milhões de almas que se perdem no materialismo ambiente e prefere ficar na encíclica Laudato si’ levada como bandeira pelo bolivarianismo e populismo subversivo latino-americano!

E nos quase divinizados biomas.... que são explorados como ‘slogans’ do ambientalismo radical!


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Lançamento de “Utopia igualitária” do presidente do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira -IPCO

O presidente do IPCO durante sua palestra no clube Homs








O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira reuniu no dia 16 de março p.p. seleto público no auditório do Clube Homs, na Av. Paulista (SP), para conferência e lançamento do mais recente livro de seu presidente Dr. Adolpho Lindenberg, Utopia igualitária – Aviltamento da dignidade humana.

No início da sessão, Dr. Eduardo de Barros Brotero, diretor do Instituto, saudou o autor, lembrando que Dr. Adolpho não apenas conviveu, mas colaborou muito proximamente com seu primo Plinio Corrêa de Oliveira, tendo haurido dele preciosos conhecimentos e exemplos de vida.

Recordou também que Adolpho Lindenberg, com a construtora que leva seu nome, restaurou o estilo neoclássico na arquitetura, além do colonial para as residências em São Paulo.

Sublinhou como o Dr. Adolpho soube salientar o papel primordial das tendências na conduta dos seres humanos, imortalizando a grife Lindenberg em prédios de apartamentos que pontilham a capital paulista.

Por sua vez, Adolpho Lindenberg afirmou ser o decano naquele auditório, mas que procuraria contrastar com a suma atualidade de palestras curtas, rápidas e sintéticas.

O Dr. Adolpho teve que autografar muitos exemplares
O Dr. Adolpho teve que autografar muitos exemplares
Passou em seguida a desenvolver o arcabouço doutrinário de seu recente livro, ilustrando com muitos fatos os erros do mundo moderno influenciado pela doutrina igualitária.

“Os homens são iguais?” — indagou o orador. E respondeu que no sentido de que são seres humanos dotados de corpo e alma, inteligência, vontade, sensibilidade e com direitos essenciais, como a vida, o acesso à cultura e à dignidade, todos são iguais.

Mas no que tange à inteligência, aos dotes artísticos, à força física, à capacidade de iniciativa etc., eles são profundamente desiguais e nisso reside a beleza da criação de Deus.

Exemplificou com o caleidoscópio, cuja diversidade de cores e refrações encanta não apenas crianças, mas também adultos.

Assim, mostrou que o conjunto das diversidades e qualidades individuais forma a maravilha mais bela do Universo.

Criado à imagem e semelhança de Deus, o homem detém em si o resumo de toda a criação.

Dr. Adolpho demonstrou como a mentalidade revolucionária tenta igualar tudo, até mesmo a indisfarçável verdade de que o gênero humano comporta dois sexos distintos com inúmeras diferenças.

No fim, também houve sorteio de exemplares
No fim, também houve sorteio de exemplares
Isso não obstante, a propaganda tende a difundir que todos são iguais em todos os aspectos.

Tal igualitarismo, segundo ele, se manifesta também nas modas, que vão padronizando os trajes e caminhando para uma moda unissex, como certas confecções à base de jeans, que alcançam seu “auge de modernidade” quando exibidas rasgadas e desbotadas.

Citou vários exemplos de como o igualitarismo causa o aviltamento da dignidade humana, lembrado no título de seu livro.

O Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança pronunciou as palavras de encerramento do evento. Discorreu ele sobre a oportunidade do livro que estava sendo lançado, e afirmou que se podia sentir no horizonte a adesão, sobretudo nos jovens, aos ideais anti-igualitários da Cristandade.

No final foram sorteados alguns exemplares do livro . Em seguida, todos participaram de um animado coquetel, enquanto o Dr. Adolpho Lindenberg concedia autógrafos aos numerosos participantes que adquiriram a obra.


Vídeo: Lançamento de “Utopia igualitária” do presidente do IPCO







segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Do “acordo de paz” às guerras civis latino-americanas? Seremos os primeiros?

Guerrilheiro das FARC num acampamento em Antioquia (Colômbia) PCC quer recrutá-los pela sua experiência em armas pesadas.
Guerrilheiro das FARC num acampamento em Antioquia (Colômbia).
PCC quer recrutá-los pela sua experiência em armas pesadas.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O badalado “Acordo de Paz” da Colômbia poderá passar para a História como o ponto de partida da generalização das guerras civis no continente latino-americano.

Membros das Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colômbia (FARC) estão se espalhando pelo continente, oferecendo seus préstimos, experiência bélica e conhecimentos do narcotráfico a países vizinhos.

A maior organização criminosa do Brasil está recrutando, segundo o The Wall Street Journal, pessoal especializado em armas pesadas e técnicas guerrilheiras para expandir seu domínio do tráfico de drogas na América Latina, segundo investigadores colombianos e brasileiros.

Funcionários dos Ministérios de Defesa e Relações Exteriores do Brasil e da Colômbia trocaram informações em Manaus sobre a procura de guerrilheiros na Colômbia praticada pelo bando criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo.

“O PCC esta oferecendo empregos às FARC”, disse o ministro de Defesa colombiano, Luis Carlos Villegas.

O alistamento do PCC acontece num auge de produção de coca no país vizinho. A produção de cocaína teria crescido 46% entre 2014 e 2015, anos sobre os quais a ONU dispõe dos mais recentes dados.

O PCC visa eliminar intermediários e trazer diretamente a cocaína colombiana para o Brasil, disse Lincoln Gakiya, fiscal de São Paulo que investiga as atividades do PCC há 10 anos.

As autoridades antinarcóticas americanas estimam que o Brasil seja o segundo maior mercado para a droga após os EUA.

Mas o controle dessa sinistra rede não se fará sem inúmeras violências contra outros grupos criminosos e acabará envolvendo as forças de segurança dos países amazônicos.

Falso 'Acordo de Paz' na Colômbia pode disseminar guerras civis pelo continente.
Falso 'Acordo de Paz' na Colômbia pode disseminar guerras civis pelo continente.
O PCC é visto nos EUA como um grupo disciplinado e altamente organizado que possui 21.000 membros no Brasil e está presente no Paraguai.

Seus chefes estão em cárceres que lhes servem sob certo ponto de vista de quarteis-gerais a partir dos quais dirigem seus subalternos espalhados em favelas e regiões periféricas.

O PCC e os grupos criminosos organizados constituem a versão brasileira das FARC.

“O PCC está obsedado com a ideia de obter treinamento militar”, diz Gakiya. “Ele procura metralhadoras calibre .50, que podem derrubar helicópteros e perfurar blindados, e procura recuperar parte da rede das FARC, combatentes veteranos que dominam o fabrico de explosivos”, acrescentou o fiscal.

As chacinas nos cárceres constituem capítulos da montagem dessa narcoguerrilha nascente cujo domínio os grupos delitivos tentam garantir.

Nem todos os combatentes colombianos escolheram a paz; eles se embrenharam na selva rumo às fronteiras com o Brasil, informaram fontes em Bogotá.

A InSight Crime, organização que acompanha os níveis de delinquência, considera que os números dos terroristas inconformados com a paz é muito maior do que diz Bogotá.

As conexões das FARC no Brasil não são novas. Em 2001 as Forças Armadas colombianas prenderam no sudeste do país Luiz Fernando da Costa, o “Fernandinho Beira-Mar”, líder do Comando Vermelho do Rio de Janeiro. O delinquente admitiu ter comprado cocaína das FARC e ajudado essa guerrilha a obter armas.

Motim no cárcere de Alcaçuz, Natal. Bandos criminosos em luta querem recrutar guerrilheiros colombianos mais experimentados.
Motim no cárcere de Alcaçuz, Natal. Bandos criminosos em luta
querem recrutar guerrilheiros colombianos mais experimentados.
“Há antecedentes demonstrados de cooperação entre as duas partes”, assinalou Jeremy McDermott, especialista do InSight Crime que acompanha o narcotráfico na Colômbia.

Na vizinha Venezuela, o presidente Maduro nomeou Tareck El Aissami como vice-presidente. Segundo noticiou a UOL, ele é famoso pela organização de grupos armados

No colapso econômico, o presidente Nicolás Maduro discerniu em Tareck um subordinado eficaz. Ele está sendo investigado nos EUA por diversos crimes, entre os quais o de exercer papel fundamental para que o Irã e o grupo islâmico terrorista Hezbollah ganhem espaço na América Latina.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, destacou que as relações entre os regimes ditatoriais da Rússia e da Venezuela estão em alta, sobretudo considerando as tendências negativas da economia mundial, informou ainda a UOL.

Delcy Rodríguez, chefe da diplomacia venezuelana, agradeceu a Moscou pelo apoio e recordou que a Rússia é uma grande potência que defende a estabilidade no mundo todo. O regime chavista vem sendo equipado há anos com armamento russo em quantidades que superam as necessidades normais.

Desta maneira, novos campos de conflitos bélicos na América Latina vão se configurando, como consequência direta da falsa “vitória da paz” na Colômbia.



segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A morte de Fidel Castro e suas “carpideiras”

Fidel Castro quando completou 90 anos em agosto passado, ladeado por Raul Castro e Nicolás Maduro
Fidel Castro quando completou 90 anos em agosto passado,
ladeado por Raul Castro e Nicolás Maduro




A choradeira das esquerdas nacionais e internacionais — tanto do âmbito temporal quanto religioso — chegou ao auge e beira ao ridículo com a morte do “coma-andante” Fidel Castro.

Este representava para as esquerdas uma utopia que precisava a todo custo sobreviver, apesar de ser tão velha quanto o próprio tirano da Ilha-presídio. Mas a Providência Divina o chamou para prestar suas contas no Supremo Tribunal de Deus.

O autêntico povo cubano comemorou
O autêntico povo cubano comemorou
Os cubanos celebram a expectativa do início do esperado fim do tirânico regime comunista que torturou de modo tão cruel, física e psicologicamente, lançando-os escravizados na mais negra miséria moral e material.

Sobretudo os cubanos no exílio, longe das garras do regime opressor, comemoraram euforicamente o dia 25 de novembro; celebrações que em Cuba foram evidentemente mais comedidas — aí daqueles que manifestarem grande alegria….

O luto é imposto e obrigatório! “Hay que llorar”

Para os cubanos autênticos, “No hay que llorar”…


Da obra intitulada “O Livro Negro do Comunismo — crimes, terror e repressão”(1999) [capa ao lado], muito bem documentada e de autores insuspeitos(*), pois pertencentes à ala esquerdista, no capítulo “Cuba. O interminável totalitarismo tropical” (entre as págs. 769 a 789), copiei para nossos leitores alguns trechinhos que demonstram que não há razão para lamentos e prantos.

Marquei em negrito algumas frases.

“[...] Em 8 de janeiro de 1959, Castro, Guevara e os barbudos fazem uma entrada triunfal na capital. Desde a tomada do poder, as prisões de Cabana, em Havana, e de Santa Clara foram palco de execuções em massa.

“De acordo com a imprensa estrangeira, essa depuração sumária fez 600 vítimas entre os partidários de Batista, em cinco meses.

“Organizaram-se tribunais de exceção, criados unicamente para pronunciar condenações. ‘As formas dos processos e os princípios sobre os quais o direito foi concebido eram altamente significativos: a natureza totalitária do regime estava ali inscrita desde o início’, comprova Jeannine Verdès-Leroux.

“Realizaram-se simulacros de julgamentos num ambiente de feira: uma multidão de 18.000 pessoas reunidas no Palácio dos Desportos ‘julga’ o comandante batistiano Jesus Sosa Blanco, acusado de vários assassinatos, apontando os polegares para o chão. ‘É digno da antiga Roma!’, exclamou. Ele foi logo fuzilado.
[...]
“Desde a tomada do poder, surdas lutas viscerais minaram o jovem governo revolucionário.

“Em 15 de fevereiro de 1959, o primeiro-ministro Miro Cardona demitiu-se. Já comandante-chefe do exército, Castro substituiu-o. Em junho, decidiu anular o projeto de organizar eleições livres, anteriormente prometidas para um prazo de 18 meses.

“Perante os habitantes de Havana, justificou a sua decisão através desta interpelação: ‘Eleições! Para quê?’

“Negava desse modo um dos pontos fundamentais inscritos no programa dos revolucionários anti-Batista. Além disso, suspendeu a Constituição de 1940, que garantia os direitos fundamentais, para governar exclusivamente por decreto — antes de impor, em 1976, uma Constituição inspirada na da URSS.

“Teve igualmente o cuidado de promulgar dois textos legais, a Lei nº 54 e a Lei nº 53 (texto relativo à lei sobre as associações), que limitavam o direito dos cidadãos a associarem-se livremente.

“Castro, que trabalhava então em estreita relação com os seus próximos, tratou de afastar os democratas do governo e, para conseguir esse objetivo, apoiou-se no seu irmão Raul (membro do Partido Socialista Popular, isto é, do PC) e em Guevara, sovietófilo convicto.

“Em junho de 1959, cristalizava-se a oposição entre liberais e radicais acerca da reforma agrária lançada em 17 de maio. O projeto inicial visava constituir uma média burguesia fundiária através de uma redistribuição de terras.

Castro escolheu uma política mais radical, sob a égide do Instituto Nacional de Reforma Agraria (INRA), confiado a marxistas ortodoxos e do qual ele foi o primeiro presidente. Rapidamente, anulou o plano proposto pelo ministro da Agricultura, Humberto Sori Marin.

Em junho de 1959, e para acelerar a reforma agrária, ordenou ao exército que tornasse o controle de cem latifúndios na província de Camaguey.
[...]
“A violência do regime penitenciário atingiu tanto os presos políticos quanto os de direito comum. Começava com os interrogatórios conduzidos pelo Departamento Técnico de Investigaciones, a seção encarregada dos inquéritos.

“O DTI utilizava o isolamento e explorava as fobias dos detidos: uma mulher que tinha horror a insetos foi encarcerada numa cela infestada de baratas. O DTI usou pressões físicas violentas: havia prisioneiros que eram forçados a subir escadas calçando sapatos recheados com chumbo, e em seguida eram atirados degraus abaixo.

À tortura física juntava-se a tortura psíquica, frequentemente com acompanhamento médico; os guardas utilizavam o pentotal e outras drogas, a fim de manter os presos acordados.

“No hospital de Mazzora, os eletrochoques eram usados com fins repressivos, sem qualquer restrição. Os guardas empregavam cães de guarda, procediam a simulações de execução; as celas disciplinares não tinham água nem eletricidade; o detido que se pretendia despersonalizar era mantido em completo isolamento.
[...]

“A prisão mais tristemente célebre foi, durante muito tempo, a de Cabana [foto ao lado], onde foram executados Sori Marin e Carreras. Ainda em 1982, cerca de cem prisioneiros foram ali fuzilados. A ‘especialidade’ de Cabana eram as masmorras de reduzidas dimensões chamadas ratoneras (buracos de rato).

“Ela foi desativada em 1985. Mas as execuções prosseguem em Columbio, em Boniato, prisão de alta segurança onde reina uma violência sem limites e onde dezenas de políticos são mortos de fome. Para não serem violentados pelos presos de direito comum, alguns se lambuzam com excrementos.

Boniato continua a ser ainda hoje a prisão dos condenados à morte, sejam políticos ou de direito comum. É célebre pelas suas celas de rede de arame, as tapiadas.

“Por falta de assistência médica, dezenas de prisioneiros encontraram a morte nessas celas. Os poetas Jorge Valls, que devia cumprir 7.340 dias de prisão, e Ernesto Diaz Rodriguez, assim como o comandante Eloy Guttierrez Menoyo, testemunharam as condições particularmente duras que ali vigoram.

“Em agosto de 1995, ocorreu uma greve de fome lançada conjuntamente pelos presos políticos e pelos de direito comum, a fim de denunciar as condições de vida deploráveis: alimentação péssima e doenças infecciosas (tifo, leptospiro-se). A greve durou quase um mês.

O livro negro do comunismo
O livro negro do comunismo
“Algumas prisões voltaram a pôr em vigor as jaulas de ferro. No fim dos anos 60, na prisão de Três Macios dei Oriente, as gavetas (celas), destinadas originalmente aos presos de direito comum, foram ocupadas pelos presos políticos.

“Tratava-se de uma cela de 1 metro de largura por 1,8 metro de altura, e com um comprimento de uma dezena de metros. Nesse universo fechado, em que a promiscuidade é dificilmente suportável, sem água nem higiene, os prisioneiros permaneciam semanas, às vezes vários meses.
[...]
“As visitas dos familiares proporcionavam aos guardas o ensejo de humilhar os detidos. Em Cabana, eles deviam se apresentar nus perante a família. Os maridos encarcerados eram obrigados a assistir à revista íntima das esposas.

“No universo carcerário de Cuba, a situação das mulheres é especialmente dramática, uma vez que elas são entregues sem defesa ao sadismo dos guardas. Mais de 1.100 mulheres foram condenadas por motivos políticos desde 1959. Em 1963 elas eram encarceradas na prisão de Guanajay.

“Os testemunhos reunidos estabelecem o uso de sessões de espancamento e de humilhações diversas. Um exemplo: antes de passarem pela ducha, as detidas deviam despir-se diante dos guardas, que lhes batiam.

“No campo de Potosi, na zona de Lãs Victorias de Ias Tunas, contavam-se, em 1986(**), três mil mulheres encarceradas — estando misturadas delinquentes, prostitutas e políticas.

“Em Havana, a prisão de Nuevo Amenacer continua a ser a mais importante. Amiga de Castro de longa data, representante de Cuba na UNESCO nos anos 70, a doutora Martha Frayde descreveu assim esse centro carcerário, onde as condições de vida eram particularmente duras:
‘A minha cela tinha seis metros por cinco. cinco. Éramos 22 dormindo em catres sobrepostos a dois ou a três. [...] Na nossa cela, chegou a acontecer de sermos 42. [...]

“As condições de higiene tornavam-se totalmente insuportáveis. As tinas onde devíamos nos lavar estavam cheias de imundícies. Tornara-se absolutamente impossível fazer a nossa toilette. [...] Começou a faltar água. A limpeza dos banheiros tornou-se impossível.

“Primeiro encheram e depois transbordaram. Formou-se uma camada de excrementos que invadiu as nossas celas. Depois, como uma onda irreprimível, atingiu o corredor e depois a escada, escoando-se até o jardim’.
[...]
“No decorrer do verão de 1994, Havana foi palco, pela primeira vez desde 1959, de violentos tumultos. Candidatos à partida, não podendo embarcar nas balsas, as jangadas improvisadas [foto ao lado], confrontaram-se com a polícia. Nas ruas do bairro Colomb, a avenida marginal — o Malecón — foi saqueada.

“O restabelecimento da ordem implicou várias dezenas de detenções, mas, finalmente, Castro autorizou novo êxodo de 25 mil pessoas. Posteriormente, as partidas não cessaram, e as bases americanas de Guantánamo e do Panamá estão saturadas de exilados voluntários.

Castro tentou igualmente travar essas fugas em jangadas, enviando helicópteros para bombardear as frágeis embarcações com sacos de areia. Cerca de sete mil pessoas pereceram no mar durante o verão de 1994. Ao todo, estima-se que um terço dos balseros morreu durante a fuga.

“Em 30 anos, teriam sido entre 25 mil e 35 mil os cubanos que tentaram a fuga pelo mar.
No total, os diversos êxodos fazem com que Cuba tenha atualmente 20% dos seus cidadãos no exílio.

“Numa população global de 11 milhões de habitantes, perto de 2 milhões de cubanos vivem fora da ilha. O exílio desarticulou as famílias, e são incontáveis as que estão dispersas entre Havana, Miami, Espanha ou Porto Rico…
[...]
“Em 1978, havia entre 15.000 e 20.000 prisioneiros de opinião. Muitos vinham do M-26, dos movimentos estudantis antibatistianos, das guerrilhas de Escambray ou dos antigos da baía dos Porcos. Em 1986, estimava-se de 12.000 a 15.000 o número de prisioneiros políticos encarcerados em 50 prisões ‘regionais’ distribuídas por toda a ilha.

“Desde 1959, mais de cem mil cubanos conheceram os campos, as prisões ou as frentes abertas. Entre 15.000 e 17.000 pessoas foram fuziladas. [...]”.

(Autores: Stéphane Courtois, Nicolas Werth, Jean-Louis Panné, Andrzej Paczkowski, Karel Bartosek, Jean-Louis Margolin, ”O livro negro do comunismo. Crimes, terror e repressão”, Bertrand Brasil, Rio de Janeiro).

* * *

Como acima mencionei, os autores do “O Livro Negro do Comunismo” são esquerdistas. Assim sendo, as cifras por eles citadas devem ser ampliadas, pois, o número de prisioneiros, torturados, fuzilados no famoso “paredón” está baseado em registros oficiais.

Mas quantos infelizes “desapareceram” sem nenhum registro? Há outras informações seguras — por exemplo, as que constam no livro “Cuba comunista: vergonha de nosso tempo e de nosso continente” (1997), de autoria do cubano Sergio F. de Paz — denunciando que quase 500.000 de seus conterrâneos foram encarcerados ou passaram por campos de trabalho forçado.

Sem falar de dezenas de milhares de cubanos afogados nas tentativas de fuga pelo mar. Também sem registrar que, devido à ideologia materialista do regime comunista, Cuba conta com altos índices de suicídios e abortos.

A respeito, recomendo outro excelente livro “Hasta cuándo las Américas tolerarán al dictador Castro, el implacable stalinista que continua oprimiendo al pueblo cubano, y amenazando a naciones Hermanas?”, publicado em 1990 por iniciativa de “Cubanos Desterrados” (Miami). [Foto acima].

Fidel Castro — palavras inesquecíveis 



Com tal “curriculum” nas costas, acumulado por quase 50 anos de tirania comunista, não causa surpresa a declaração de Fidel Castro ao jornalista Jean-Luc Mano, da revista “Paris Match”, em 29-10-1994:

“Eu irei para o inferno, e sei que o calor ali será insuportável… E lá chegando, encontrarei Marx, Engels, Lenine. E também encontrarei você, porque os capitalistas também vão para o inferno, sobretudo se desejam gozar a vida”.
Não se pode desejar o Inferno para ninguém. Convém, entretanto, lembrar que Fidel sabia perfeitamente da existência do Céu e do Inferno, pois estudou em colégio dos Padres Jesuítas, onde fez o catecismo.

Com o desaparecimento de sua única figura carismática e “legendária”, como a esquerda sobreviverá? Como tentará manter-se viva após a morte do tirano?

Surgirá algum líder esquerdista substituto ao qual ela possa agarrar-se para não naufragar? Tal homem será do mundo laico ou do mundo eclesial?

Conseguirá esse novo líder manter Cuba num regime castrista sem Castro? Quem viver, verá!

Mas, considerado sob outro aspecto, a choradeira dos companheiros do velho tirano é compreensível. Eles temem que um dia Cuba se veja totalmente livre do regime comunista e, desse modo, a antiga “Pérola do Caribe” volte à prosperidade de que outrora gozava.

Encerro transcrevendo o artigo abaixo, que explica esse temor das esquerdas e aponta o papel que Cuba exerce (exercia?) para o comunismo internacional. Seu autor é Plinio Corrêa de Oliveira — o líder anticomunista que mais se dedicou na defesa do povo cubano — e foi divulgado pela “Agência Boa Imprensa” em julho de 1992, ano em que a URSS desmoronava.

Cuba e o submarino



Se há no mundo atual um reduto revolucionário onde a bandeira comunista parece insultar os raios do sol com sua presença, esse reduto é Cuba.

Um pouco por toda parte, os comunistas ficaram estarrecidos e desconcertados com a espetacular degringolada do bloco soviético.

Ora, o constatar que a Rússia soviética de repente se pulveriza, representou um baque psicológico espantoso para os comunistas no mundo inteiro.

Entretanto, é um fator de alento para todos eles ver que, na pequenina Cuba, ainda arde uma Tróia comunista, irradiando para as três Américas os seus malfazejos eflúvios eletro-políticos.

A Ilha-Prisão das Antilhas, porém, está imersa no caos. Castro parece estar com ‘falta de ar’, e a única saída possível para a sua delicada situação é o apoio propagandístico que lhe venha do exterior.

Nesse sentido, caravanas faceiras de forâneos não têm faltado para lhe dar o indispensável respaldo.

Alegres próceres da esquerda católica brasileira, como Frei Betto [na foto ao lado, à esq. de Fidel Castro], Frei Boff e quejandos, lá estiveram. Fazendo coro com ecologistas e tribalistas, esses homens-show da teologia da libertação entregaram-se à mesma lenga-lenga de sempre, cujos termos são mais ou menos os seguintes: Em Cuba, vive-se feliz. Lá há miséria, é verdade. Mas qual é a diferença entre miséria e pobreza? E, no total, uma suportável pobreza não será melhor do que o consumismo?

Não podendo fazer outra defesa da ilha-cárcere, seus propugnadores entregam-se a essas desajeitadas defesas do miserabilismo.

E pouco se incomodam de, por essa forma, concorrerem para que ali se perpetuem as brutalidades, as inclemências e os crimes do comunismo staliniano, fracassado no Leste europeu.

Tudo isso não obstante, o melhor proveito da presente situação cubana para os interesses do comunismo internacional, ainda acaba sendo aquele de porta-bandeira.

Só para comparar, afigure-se o leitor um submarino no qual o periscópio, ademais de sua função ótica, exercesse também outra, à maneira de escafandro, sendo responsável pela introdução do ar no interior da nave.

Pois bem, Cuba, de momento, representa o papel desse periscópio hipotético.

Em meio à tripulação comunista sub-aquática, imersa nas águas da miséria, minguada, desanimada e asfixiada à vista do naufrágio do comunismo russo, ela introduz o ar nesses pulmões.

De maneira que, se eles ainda respiram, é porque Cuba respira.

E isso é de muito grande alcance.


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Cuba volta a depender do petróleo russo como no tempo da URSS

A Unión Cuba-Petróleo (CUPET) é a estatal única que fornece petróleo mas cai de decrepitude.
A Unión Cuba-Petróleo (CUPET) é a estatal que fornece petróleo mas cai de decrepitude.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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sócio do IPCO,
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diversos blogs




Raúl Castro, presidente marxista de Cuba, se voltou para o ex-coronel da KGB que preside a Rússia, Vladimir Putin, para lhe implorar petróleo e derivados, noticiou a UOL. E de modo estável como nos velhos tempos de seu irmão Fidel e da URSS.

Venezuela detentora das maiores reservas mundiais de petróleo, sob a batuta de Hugo Chávez e do atual presidente Nicolás Maduro conseguiu a façanha de arruinar a produção. Milagres do populismo socialista!

Durante alguns anos, a Venezuela forneceu quase de graça os combustíveis que a ilha igualitária nunca conseguiu produzir ou substituir. Mas agora não dá mais.

Cuba cerceou ainda mais o uso de combustíveis derivados do petróleo e não tendo criado outras fontes relevantes de energia passa pior que a Venezuela.

A Rússia está com petróleo sobrando pela queda dos mercados internacionais, mas também tem urgência de dinheiro, pois está vendo o “volume morto” de suas reservas monetárias.

Mas Havana tampouco pode pagar. A Agência de Informação do Petróleo de Cuba apelou ao Kremlin pedindo preços favoráveis e financiamento.

Raúl Castro não esclareceu quanto Cuba precisa, nem as condições desejadas, mas i promete pagar o preço que Moscou fixar.

O Ministério de Economia russo advertiu ao Ministério da Energia de seu país, que a “capacidade de pagamento” cubana é “um risco importante”. Leia-se bem pode agir do mesmo jeito que com a URSS quando no fim não pagava.

Táxi em Cuba: sobe se couber. O transporte sobrevive com o mercado negro de combustíveis.
Táxi em Cuba: sobe se couber.
O transporte sobrevive com o mercado negro de combustíveis.
A Rússia fornece ainda um volume mínimo de petróleo à ilha da miséria e de modo intermitente e a exânime economia cubana não deve consumir muito.

O socialismo só sabe sobreviver sugando recursos dos países livres ou gerados pelas empresas privadas.

Porém a ideologia socialista e anti-capitalista prevalece até sobre as conveniências materiais.

Por isso, o eixo Moscou-Havana que nunca desapareceu, agora pode voltar à evidência com uma operação de salvamento energético.


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Stédile se une ao Papa Francisco na luta de classes da Mãe Terra contra a liberdade e a propriedade privada

João Pedro Stédile no Vaticano e a revolução mundial
João Pedro Stédile no Vaticano e a revolução mundial
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Encerrou ontem, 5/11, no Vaticano o 3º Encontro Mundial dos Movimentos Populares, desejado pelo papa sobre os temas que lhe são caros: Terra, Teto e Trabalho.

Como não poderia deixar de ser, João Pedro Stédile, do MST, esteve presente, tendo sido um dos principais organizadores.

Sobre a reunião vaticana, o jornal italiano comunista-anarquista Il Manifesto entrevistou Stédile.

Il Manifesto – Quais são as expectativas dos movimentos populares?

Stédile – Desde que Francisco assumiu o pontificado, ele manifestou de diferentes formas a vontade de construir uma ponte com os movimentos populares, os trabalhadores excluídos, os povos nativos, os indígenas, com as pessoas de todas as etnias e religiões para analisar os graves problemas da humanidade que afligem a maioria da população.

Assim, construímos um caminho permanente de diálogo. Realizamos um primeiro encontro em 2014, depois um encontro mais latino-americano e, em seguida, um encontro de massa na Bolívia, em agosto de 2015.

E, agora, continuamos com este terceiro encontro, que reúne mais de 200 companheiros de todos os continentes.

Avançaremos na discussão sobre questões candentes da humanidade, que dizem respeito a todos: a democracia burguesa hipócrita que não respeita a vontade da população; a apropriação privada dos bens comuns da natureza, e os temas que são levantados pelos refugiados em todo o mundo. (...)

Mas, enquanto isso, continuam os homicídios de ambientalistas, daqueles que defendem os territórios e os recursos, de Honduras à Colômbia.

Encontro promovido pelo Vaticano foi ocasião para propaganda política lulopetitsta.
Encontro promovido pelo Vaticano foi ocasião para propaganda política lulopetitsta.
A deputada indígena Milagro Sala ainda está presa na Argentina, e, no Brasil, Michel Temer escancara as portas para as multinacionais dos transgênicos.

(...) Nesse sentido, desde o primeiro encontro, fomos muito longe no debate.

A encíclica Laudato si recolhe essas reflexões comuns na doutrina cristã, mas também as divulga entre os ambientalistas e os movimentos populares.

Essa encíclica é o nosso principal instrumento para aumentar a consciência e o debate em todo o mundo. Francisco conseguiu fazer uma síntese do problema ambiental que nenhum pensador de esquerda tinha feito antes.

Muitas coisas, infelizmente, mudaram desde o segundo encontro: no Brasil, na Argentina...

Il Manifesto –  Para o Bicentenário da Independência da Argentina, o papa enviou uma mensagem abertamente “bolivariana”. Como se evidencia o tema da Pátria Grande neste encontro? E o que você pensa sobre o diálogo entre Maduro e a oposição, assumido pelo Vaticano na Venezuela?

Stédile – O Papa Francisco conhece muito bem toda a América Latina, desde os tempos em que ajudava a coordenar os encontros do Conselho Episcopal Latino-Americano. No último, realizado no Brasil, ele coordenou a redação do documento final.

Eu acho que ele assumiu um compromisso profundo com todos os pobres, os trabalhadores, que provém do Evangelho. E ele sabe que a maioria em todo o continente continua sendo explorada por uma minoria, 1% dos capitalistas. (...)

É positivo que o papa tenha mantido uma atitude de negociação no caso da Venezuela, porque a direita pede a guerra, quer afundar o governo, como já fez em Honduras, Paraguai e Brasil, com golpes institucionais. (...)

Francisco I articulou líderes de movimentos sociais do mundo inteiro
Francisco I articulou líderes de movimentos sociais do mundo inteiro
Il Manifesto – E em que ponto estão as lutas dos movimentos populares no Brasil e na América Latina?

Stédile – O Brasil vive uma grave crise econômica, política, social e ambiental, como todo o continente. Diante disso, os governos subordinados aos interesses dos Estados Unidos e das suas empresas estão implementando políticas neoliberais cada vez mais selvagens (...).

Porém, no Brasil e em toda a parte, há reações, mobilizações populares. Embora estejamos resistindo, estamos em uma situação de refluxo do movimento de massa em geral, em todo o continente.

Mas eu acredito que, por causa das condições objetivas e da situação política, os problemas vão se agravar, e, muito em breve, a classe trabalhadora e a juventude vão sair às ruas: mas não só para protestar, mas para exigir novos modelos de política econômica, novos programas, novos governos.

Estamos nesse ponto, tentamos aumentar a conscientização, organizar os movimentos populares para que lutem e para ver se, no futuro próximo, o movimento de massas se levanta, tanto no Brasil quanto em vários países do continente atingidos pelo neoliberalismo.

E há sinais nesse sentido, porque a juventude começa a se mover.

Já temos mais de 1.000 escolas secundárias ocupadas pelos estudantes, e agora as universidades também começaram. Já são dez, incluindo os estudantes da Universidade de Brasília, que ocuparam a universidade nessa terça-feira.

Stédile fala desde o Vaticano sobre a nova revolução do século XXI:




(Fonte: GPS do Agronegócio, domingo, 6 de novembro de 2016)

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Mordaça e repressão ideológica
até no futebol venezuelano

"Não há papel e não sabemos quando"
A degradação quotidiana: "Não há papel e não sabemos quando"
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A equipe da seleção argentina que foi participar dos jogos eliminatórios na Venezuela foi avisada para levar o essencial: papel de toilette e alimentos, embora tivesse reservado um hotel cinco estrelas, registrou o jornal “La Nación” de Buenos Aires.

Os jornalistas verificaram que a corrida de táxi de 10 minutos até o centro da cidade de Mérida, local do jogo, podia custar 600 bolívares (93 centavos de dólar), ou 1100, ou 900. Refrigerantes, cerveja, um prato de comida, todos os preços navegavam na incerteza.

Os habitantes explicavam que “tudo é relativo, os preços mudam todos os dias”. Único ponto de referência era o salário. A metade da população recebe o ordenado oficial de 22.576 bolívares (cerca de 100 reais) e mais 42 mil em bônus de alimentação.

O quilo de farinha de milho, alimento nacional por excelência, custa 190 bolívares, de acordo com os preços do governo, mas não se encontra: é preciso pagar entre 1.600 e 2.000 bolívares.

Um quilo de queijo no mercado negro custa entre 3.500 e 4.000 bolívares, o quilo de carne entre 3.800 e 4.500, o quilo de leite em pó, 5.000. Quatro rolos de papel higiênico custam na rua 1.800.

O FMI teme uma inflação de 700% neste ano.

A confusão é máxima quando se fala das taxas de câmbio, porque há três: as duas oficiais e a do mercado negro. A taxa oficial, para alimentos e remédios, é de 10 bolívares; para os demais produtos é de 646 bolívares.

O negro estaria estagnado em 1.000, mas é perigoso obtê-lo. Não há notas de bolívares para comprar: a nota mais alta é de 100 bolívares, que equivale a 15 centavos de dólar ou 48 centavos de real. É habitual ver pessoas circulando pelas ruas com grandes pacotes de notas.

“Hoje, o venezuelano só pensa em comida, nada de espairecimento ou lazer”, explicava Perozo, jornalista venezuelano de Maracaibo.

Comprar entradas para jogo de futebol era luxo reservado a poucos. Menos para os apaniguados do regime, para os quais a estatal do petróleo PDVSA repartia ingressos aos montes. O governo tinha um objetivo ideológico: evitar que das grades partisse o cântico “Este Gobierno va a caer”.

Por sua vez, segundo “La Nación”, os jogadores venezuelanos guardavam estarrecedor mutismo sobre a situação de miséria e doença que eles conhecem, com pacientes graves beirando a morte por falta de medicamentos.

O Estado assumiu as despesas e o controle da seleção “Vinotinto”. A maioria deles joga no exterior e não quer se expor a represálias por parte do governo.

A voz de qualquer dos jogadores mais conhecidos poderia suscitar uma onda de críticas. Salomón Rondón, que joga na Inglaterra, ousou dizer em entrevista ao “The Guardian” que “a vida em Caracas já não é vida. Você é assediado pela incerteza de ser morto, se você sai para trabalhar não sabe se volta para casa. É um caos. Eu sofro pela minha família, temo que sejam sequestrados. Quando vou visitá-los, tento passar despercebido, não ser visto por ninguém”.

Por causa dessa declaração, Rondón, ídolo da “Vinotinto” foi repreendido pelo presidente da Federação Venezuelana de Futebol, dependente do dinheiro do governo.
Jogadores assaltados. Todos temem as represálias do governo se dizerem algo
Jogadores assaltados. Todos temem as represálias do governo se dizerem algo.
E os jornalistas venezuelanos não se atrevem a interrogar os esportistas. Pois temem que por uma mera pergunta, o governo socialista lhes tire a licença para exercerem a profissão.

Ninguém foge da mordaça oficial, conclui “La Nación”.

A impunidade do crime organizado também ligado à máquina ideológica socialista piora as coisas. A delegação completa do clube Trujillanos foi sequestrada numa estrada durante duas horas e meia na semana prévia a um jogo pela Copa Sul-Americana.

O local fica a 240 quilómetros da capital Caracas, e a delegação foi despojada de todos seus pertences ficando de torso nu. Os criminosos agiram com armas de alto calibre e ameaçaram explodir o ônibus com granadas se havia algum sistema de localização satelital ligado, noticiou “Clarín”.


segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Ditadura chavista: vergonha do gênero humano
é triunfo da Teologia da Libertação - 2

Forças Armadas intervêm para reprimir famintos ou necessitados de remédios.
Forças Armadas intervêm para reprimir famintos ou necessitados de remédios.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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política internacional,
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O Instituto Nacional de Estatísticas (INE) da Venezuela reconheceu – e seus números devem ser revistos para pior – que no primeiro semestre de 2015, 33,1% da população ou 2.434.035 famílias estão em situação de pobreza. E que 9,3% dessas – 83.370 famílias – estão na pobreza extrema.

O salário mínimo integral oficial, que inclui bolsas e bônus para a alimentação, é de 65.056 bolívares (203 reais, pela cotação do mercado paralelo, o único que funciona). Então muitos não conseguem comer durante todo o mês.

Não espanta, pois, que uma multidão enfurecida tenha perseguido o presidente venezuelano Nicolás Maduro, na pequena localidade de Villa Rosa, na turística ilha Margarita, como documentou “Público”, entre outros.

A ilha é um paraíso turístico, mas os hotéis não têm mais papel de toalete, sabonetes e insumos básicos, porque nem os proprietários têm. A frequência dos clientes caiu pela metade.

Ele foi inaugurar à noite um complexo de residências sociais, quando foi rodeado por populares, que ele de início julgou tratar-se de simpatizantes.

Quando se deu conta de que estava a ponto de ser linchado, a única saída que teve o “popular” presidente foi de sair correndo com as próprias pernas. Nas redes sociais foram colocados vídeos com as espantosas cenas.

Maduro foi recebido com uma “caçarolada” e gritos de que o povo tinha fome. Ele tentou falar com a multidão, mas gritaram-lhe obscenidades e começaram a persegui-lo, segundo descreveu o New York Times. Maduro chegou a arrebatar a caçarola de uma mulher que protestava.

A repressão se fez sentir logo. Perto de 30 pessoas foram detidas. Uma delas é Bráulio Jatar, diretor do jornal online Reporte Confidencial, o primeiro a divulgar a notícia e os vídeos da perseguição ao presidente.






Em Caracas, a oposição reuniu por volta de um milhão de pessoas no protesto denominado “Tomada de Caracas”, e anunciou marchas similares em todo o país.

“As panelas vão continuar a fazer-se ouvir, é uma forma de protesto pacífica! O que vão fazer? Tirar as panelas do povo?”, intimou, no Twitter, um dos líderes da oposição, Henrique Capriles.

Degradantes brigas para conseguir alimentos controlados pelo socialismo.
Degradantes brigas para conseguir alimentos controlados pelo socialismo.

Compreende-se o que ele quis dizer, mas a paranoia do governo bolivariano pode chegar ao absurdo de confiscar as panelas, como já o fez o maoísmo na China no Salto Adiante.

O ministro da Informação, Luis Marcano, divulgou um vídeo no Twitter de Maduro, apresentando-o com o punho erguido, mandando beijinhos e sendo aplaudido em Margarita.

O mesmo Ministério da Informação divulgou fotos truncadas de anos anteriores como se fossem da manifestação de apoio a Maduro e contra a “Tomada de Caracas”, quando a manifestação governamental reuniu na realidade apenas um punhado de chavistas pagos.



segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Ditadura chavista: vergonha do gênero humano
e triunfo da Teologia da Libertação - 1

Hospitais em estado miserável.
Hospitais em estado miserável.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O precipício da miséria induzida parece não ter atingido o fundo. Quando se diria que mais baixo não se pode cair, os ditadores socialistas inventam uma degradação maior.

Agora na Venezuela haverá um general-em-chefe encarregado do arroz, outro do frango, outro do óleo, até completar os 18 produtos alimentares e farmacêuticos básicos, segundo ordenou, no programa televisado “En contacto con Maduro”, o superministro da Defesa, Abastecimento e Produção, Vladimir Padrino López, informou “Clarin”.

O superministro está executando um programa desenhado pelo presidente Nicolás Maduro para fiscalizar as empresas privadas.

Na prática, a aplicação já está se vendo: a tropa confisca os produtos e os distribui entre os simpatizantes chavistas.

O ministro anunciou com ufania oca que “os objetivos de visita às empresas [de alimentos] e acompanhamento foram cumpridos a 100%”.

Agora a ofensiva ditatorial vai se concentrar na distribuição de remédios. “Não podemos permitir que a distribuição de medicamentos continue nas mãos dos privados tendo nós os meios que nos deixou o comandante Hugo Chávez”.

O presidente Maduro informou que já foram fiscalizadas 791 empresas em todo o território nacional.

O confisco atingirá também as sementes e o ministro anunciou que já está em formação uma brigada de 250 fiéis que porão logo mãos à obra.

A militarização do país triplicou sob a presidência do aliado do comunismo cubano.

Há 12 anos o falecido Hugo Chávez tinha tirado a tropa dos quartéis para venderem frango e tomate. O resultado está à vista, ou seja, já não se vê frango nem tomate.

As crianças venezuelanas andam de barriga inchada e quase a metade dos habitantes perdeu peso, segundo a Sociedade Venezuelana de Puericultura e Pediatria, acrescentou o jornal “Clarín”.

Huníades Urbina Medina, presidente dessa Sociedade, explicou que por causa da fome que destrói a saúde do povo, “vamos ter uma geração de deficientes físicos do ponto de vista cognitivo, morfológico e psicológico”.

Recém-nascidos em caixas de papelão no hospital de Barcelona, estado Anzoátegui.
Recém-nascidos em caixas de papelão no hospital de Barcelona, estado Anzoátegui.
“No hospital Domingo Luciani (no estado de Miranda) registramos entre 15 e 20 casos de desnutrição severa em um mês. O problema é que a criança não cresce nem se desenvolve, e quando tratada já não se recupera”, explicou.

“As famílias conseguem no máximo ter uma ou duas refeições por dia, e de muito má qualidade, puro carboidrato. Temos crianças que a gente vê gordas, mas que de fato estão inchadas porque estão retendo água por causa do consumo excessivo de farinhas”, acrescentou.

Pelo menos quatro crianças morreram de desnutrição severa no rico Estado petrolífero de Zulia. Uma criança de 18 meses perdeu a vida porque passou mais de 72 horas sem ingerir alimentos, segundo contou a mãe ao jornal “La Verdad”.

Não se encontram 85% dos alimentos e 95% dos remédios. A inflação pulou a 180% anual em 2015. Os analistas locais preveem que ela ascenderá a 700% ou mais neste ano.

As crianças são levadas à escola com a esperança de receberem algo para comer. Nos últimos meses, vários professores e pais de alunos contaram casos de alunos que desmaiaram de fome nas aulas.

No hospital Domingo Guzman Lander, no estado de Anzoátegui, a carência de incubadoras para os recém nascidos força a que eles tenham como berços caixas de papelão usadas.

A deprimente foto foi difundida nas redes sociais por Manuel Ferreira, diretor de Direitos Humanos da Mesa de Unidad Democrática (MUD), grupo político oposicionista, noticiou “Clarín”.


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Uma Igreja tribal, ecológica, “autóctone”
e pós-comunista na Amazônia?

O Papa Francisco quer uma igreja autóctone na Amazônia, segundo Cardeal Hummes.
Foto: na JMJ Rio de Janeiro julho 2013
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Muito próximo do Papa Francisco, o vaticanista Marco Tosatti, colunista do “La Stampa” de Turim e de seu site religioso “Vatican insider”, revelou em sua página pessoal o que vinha sendo comentado “a boca chiusa” em Roma: o Papa prepara em silêncio um sínodo sobre a Amazônia.

O Sínodo não seria brasileiro, mas transnacional, incluindo todas as dioceses da região amazônica vista como uma realidade superior às nove nações que exercem sua soberania sobre partes dela.

O tema central anunciado é a ecologia. Mas não se trata de cristianizar a realidade ecológica da Amazônia, mas de “ecologizar” a Igreja Católica, dissociando-a de seu passado missionário e modelando-a segundo o modelo comuno-tribal excogitado pelo ambientalismo mais radical.

O instrumento escolhido para preparar o evento é o cardeal brasileiro D. Claudio Hummes, 82 anos, arcebispo emérito de São Paulo e ex-prefeito da Congregação para o Clero.

Ele está trabalhando intensamente há alguns anos no projeto pontifício. Já visitou 22 das 38 dioceses da Amazônia e o Papa lhe teria dito para apressar mais a agenda.

Muitos se lembram da destacada presença de Dom Cláudio na loggia de São Pedro quando Francisco I nela se apresentou logo após sua eleição.

O agitado Sínodo da Família, ainda fortemente controvertido, e seguido da não menos controvertida exortação sinodal Amoris Laetitia, atrasou o Sínodo de uma sonhada igreja comuno-tribal na maior floresta úmida da Terra.

Após queda do PT, o Sínodo Pan-Amazônico abre nova via para o comuno-progressismo. D.Cláudio Hummes abraça Lula na missa do Dia do Trabalho 2003. Hoje, é o articulador do Sínodo anarco-tribalista. Foto: Ana Nascimento-ABr
Após queda do PT, o Sínodo Pan-Amazônico abre nova via para o comuno-progressismo.
D.Cláudio Hummes abraça Lula na missa do Dia do Trabalho 2003.
Hoje é o articulador do Sínodo anarco-tribalista. Foto: Ana Nascimento-ABr

A Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM foi fundada oficialmente em setembro de 2014, pretendendo dar continuidade às CEBs, muito diminuídas pela sua ligação com a Teologia da Libertação.

Segundo ela se define, a REPAM não tem uma finalidade católica como seu nome sugere, mas de apoio aos indígenas na “luta em defesa de sua sabedoria ancestral, de seus territórios e pelo seu direito a uma ‘participação efetiva nas decisões’ que dizem respeito a sua vida e a seu futuro. Reconhece e valoriza sua espiritualidade na relação com a Criação”.

Partilha, pois, as metas do famigerado CIMI.

A REPAM e, por conseguinte, o anunciado Sínodo Amazônico, visa planejar “como construir um modelo de futuro pan-amazônico em harmonia com a natureza”. A doutrinação desse modelo já está escrita e contida na encíclica Laudato Sì do Papa Francisco.

O plano é muito vasto, mas o ponto que de imediato atraiu a atenção é a criação de uma espécie de “sacerdotes casados”, que provocariam o fim do celibato eclesiástico no rito latino.

Tosatti dá entender essa meta final falando de “uma espécie de administradores leigos dos sacramentos, que substituam os sacerdotes. Mas há quem veja neste projeto a ponta da cunha para modificar as regras referentes ao celibato dos sacerdotes no rito latino”.

De fato, o Cardeal Hummes protagonizou em 2006 um não pequeno escândalo, após sua despedida da Arquidiocese de São Paulo para ocupar a Congregação do Clero a pedido do Papa Bento XVI.

Na ocasião, recebendo a funcionários da Cúria paulista, ele acenou com o fim do celibato dos padres.

“Embora os celibatários façam parte da história e da cultura católicas, a Igreja pode refletir sobre essa questão, pois o celibato não é dogma, mas uma norma disciplinar”, disse, segundo noticiou “O Estado de S. Paulo” (02-12-2006 – “Igreja poderá precisar de padres casados”).

O então ministro da Justiça Tarso Genro, em cerimônia Kuarup pelos mortos no Xingu, 2007. O ideal comuno-missionário é via de saída para as esquerdas Foto: Beth Begonha-ABr
O então ministro da Justiça Tarso Genro, em cerimônia Kuarup pelos mortos no Xingu, 2007.
O ideal comuno-missionário é via de saída para as esquerdas Foto: Beth Begonha-ABr
Essas declarações foram muito ecoadas pela imprensa anticlerical e progressista. Assim que desceu do avião em Roma, um representante da Santa Sé lhe apresentou o texto de uma retratação, que acabou sendo publicada em página inteira no jornal vaticano “L’Osservatore Romano”.

Agora, segundo Tosatti, D. Hummes voltou à carga dizendo que fala em nome do atual Papa.

Tendo pregado retiros para bispos, sacerdotes e encarregados de pastoral sobre o Sínodo que está sendo planejado para a Amazônia, D. Hummes insistiu para que todos discutam abertamente o celibato, garantindo que nada devem temer por parte da Santa Sé. Esta outrora considerava revoltosa a dúvida e a contestação desse preceito eclesiástico no rito latino.

O Sínodo serviria de pretexto para subverter a doutrina e a disciplina do sacerdócio. Segundo Tosatti, a extensão do território, a dispersão da população e a falta de padres justificariam a violação da norma tradicional.

Tosatti menciona alguém não identificado, que durante uma conferência de D. Cláudio propôs que fossem solicitados dois sacerdotes a cada uma das Ordens missionárias existentes.

Mas o Cardeal teria respondido: “Não, não, o Papa não quer isso. Depois do Concílio não devem existir mais missionários, cada povo deve se evangelizar por si mesmo; só clero autóctone, sacerdotes e bispos até sem formação acadêmica”.

Acrescenta Tosatti: “E prosseguiu dizendo que se antes era tabu falar de padres casados, agora se pode falar tranquilamente; falai entre vós. O Papa lhe teria aconselhado dizer aos bispos que ordenem um grande número de diáconos permanentes.

O objetivo seria abrir a estrada para a ordenação de leigos casados para suprir a carência de sacerdotes”.

O Cardeal está impulsionando o envio de cartas dos bispos ao Papa pedindo autorização para realizar o Sínodo. Atendendo a esses pedidos, Francisco I aprovaria a reunião.

Religiosa na Missão Anchieta entre os indígenas da Amazônia, modelo da evangelização e de civilização  que o Papa Francisco não quereria, segundo D.Claudio Hummes.
Religiosa na Missão Anchieta entre os indígenas da Amazônia,
modelo da evangelização e de civilização  que o Papa Francisco não quereria,
segundo D.Claudio Hummes.
A ideia de sacerdotes “leigos” na realidade vem de longe, sobretudo na Alemanha, que nada tem a ver com a realidade amazônica, mas que por afinidade teológica financia a operação em andamento através da Caritas.

A relativização do celibato eclesiástico, entretanto, é apenas um aspecto introdutório da “igreja que se evangeliza a si própria”.

Essa nova-Igreja surge como se Jesus Cristo tivesse errado ao mandar: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi”. (Mateus 28, 19-20)

E também: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Marcos 16, 15-16).

O Sínodo poderá se tornar a realização mais ousada do projeto comuno-missionário de uma Igreja ecologista e tribal, adaptada a cultos totêmicos portadores de “mensagens” confusas ou de fulgurações de misteriosos mundos que poderão se manifestar na inculturação ou falsa “autoevangelização”.

Esse novo Sínodo ainda dará muito que falar.