segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Exemplo ucraniano inspira resistência venezuelana

Afinidade das situações é muito grande
Afinidade das situações é muito grande
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O documentário Winter on fire foi apresentado e discutido em várias universidades venezuelanas, públicas e privadas, provocando grande impacto entre os estudantes, hoje figuras centrais das marchas opositoras ao governo de Nicolás Maduro, informou “O Globo”.

Segundo declarou ao “Globo” Marcelino Bisbal, professor da Universidade Católica Andrés Bello (UCAB), os estudantes venezuelanos ficaram entusiasmados com o documentário.

Por quê? “Porque o exemplo da Ucrânia mostra que é possível mudar um país fazendo grandes esforços, como estão fazendo todos os venezuelanos”.

Esses grandes esforços envolvem o derramamento abundante de sangue – mais de 100 assassinados pelos esbirros chavistas – e um combate duríssimo no dia-a-dia nas ruas e praças do país

“Aqui já se fala no efeito Ucrânia, pela penetração deste documentário não somente nas universidades, mas também nos bairros, através de associações civis” — disse o professor da UCAB.

“Os jovens se sentem identificados com o exemplo ucraniano, porque aqui também eles são o motor da rebelião”.

Nos escudos caseiros venezuelanos a Cruz de São Jorge e Nossa Senhora de Coromoto.
Nos escudos caseiros venezuelanos:
a Cruz de São Jorge e Nossa Senhora de Coromoto.
Assim como na Ucrânia, manifestantes passaram a usar escudos improvisados para se defenderem da repressão policial nos protestos, como na Praça Maidan de Kiev.

Placas de madeira e aço, barris de plástico e metal, e até mesmo partes de antenas parabólicas e tampas de bueiros proliferam nas manifestações, quase sempre trazendo as cores da bandeira nacional ou mensagens contra o governo.

Também se destaca a Cruz de São Jorge, muito usada em Kiev. Um vídeo viral nas redes sociais mostra uma moça montando seu escudo, enquanto Maduro aparece na TV fazendo suas invectivas anticapitalistas e insultos à oposição.

Por fim, a jovem sai à rua de sua pobre casa e vai juntar-se a outros que acabam de fazer seu escudo.

“Os escudos não detêm os tiros, mas nos protegem do gás lacrimogêneo, das balas de borracha e pedradas”, informou à Reuters Brian Suárez, estudante de Direito, carregando um escudo com a imagem do presidente sob a mira de um rifle.

Há uma coincidência curiosa. Procurando fotos desses resistentes venezuelanos, achei algumas de jovens na Praça Maidan em 2014, com cartazes em que se identificavam com as marchas pacíficas da Venezuela e faziam explícita menção ao país sul-americano.

Que intuição lhes fazia antever que nos dois países tão distantes entre si, uns e outros se opunham ao mesmo inimigo: o comunismo metamorfoseado?

Em 2014, na Praça Maidan os manifestantes ucranianos pela liberdade apoiavam seus homólogos venezuelanos
Em 2014, na Praça Maidan os manifestantes ucranianos pela liberdade
apoiavam seus homólogos venezuelanos
Em 2014, enquanto os ucranianos lutavam pela sua independência na Praça Maidan, os venezuelanos faziam o mesmo em seu país.

Os ditadores Vladimir Putin, Recep Erdogan, Bashar Assad, Nicolás Maduro e Robert Mugabe inventaram então a existência de uma grande conspiração mundial do Ocidente contra eles, noticiou “El País” de Madri.

Em ambos os casos, aqueles jovens lutavam corajosamente e em desigualdade de condições para se desenvencilhar de uma espécie de demônio ou maldição.

Como que tentavam remir seus países, mesmo pagando um alto preço em sangue para atrair uma bênção portadora de um futuro melhor intuído com esperança.


Vídeo: Exemplo ucraniano inspira resistência venezuelana










segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Religiosos e indígenas querem decidir na Noruega sobre as florestas brasileiras

Iniciativa 'interreligiosa' reuniu agitadores tribalistas e ONGs esquerdistas patrocinada pelo governo da Noruega e se imiscuindo na vida do Brasil
Iniciativa 'interreligiosa' reuniu agitadores tribalistas e ONGs esquerdistas
patrocinada pelo governo da Noruega e se imiscuindo na vida do Brasil
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Uma Iniciativa Inter-religiosa da Floresta Tropical, promovida pelo Ministério do Clima e Ambiente da Noruega, reuniu em Oslo líderes de diversas crenças e povos, como os pigmeus africanos e etnias indígenas sul-americanas.

O inédito encontro se inseriu numa longa serie de ingerências de governos e ONGs internacionais no Brasil e em outros países.

O governo norueguês vai cortar em 2017 pelo menos 50% de suas doações ao Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES, aduzindo o aumento no desmatamento nos últimos dois anos.

O ministro norueguês do Meio Ambiente, Vidar Helgesen, agradeceu o apoio que essas ingerências encontram em líderes religiosos locais.

“Em lugares onde o Estado não tem presença ou controle, sempre há comunidades de fé. Sempre há uma igreja ou outro lugar de adoração. Essa infraestrutura é um recurso que pode ser mobilizado em favor das florestas de uma forma mais consistente”, disse.

Mons. Sánchez Sorondo representou o Vaticano na Iniciativa 'interreligiosa' de ambientalistas de esquerda
Mons. Sánchez Sorondo representou o Vaticano
na Iniciativa 'interreligiosa' de ambientalistas de esquerda
Segundo a “Folha de S. Paulo”, Sônia Guajajara, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib)a achou que a iniciativa não foi suficientemente radical.

Ela aguardava um intervencionismo mais extremado e especificamente político voltado contra as tendências conservadores no País, especialmente no Congresso nacional.

Em discurso no Centro Nobel da Paz, ela atacou a atuação das igrejas cristãs nas aldeias brasileiras e a aliança no Congresso das bancadas evangélica e ruralista, contrárias a mais demarcações de terras.

Desta maneira, o destino soberano do Brasil ficou no centro das críticas de poderes e militâncias ricas estrangeiras associadas ao comuno-tribalismo brasileiro.

“Primeiro, fomos mortos pela Igreja Católica”, exagerou demagogicamente Sônia.

“Hoje, mais uma vez, somos mortos pelos evangélicos, que entram nas aldeias e tentam induzir as suas religiões”, radicalizou. Ela não fez senão acionar o realejo comuno-tribalista.

Apresentada pela mídia como líder dos guajajaras, etnia do Maranhão, ela deblaterou contra evangélicos e ruralistas como sendo “uma coalizão que pode ter muita força”. E atacou a orientação dos evangélicos porque “eles têm de se preocupar em salvar vidas, e não almas”.

Essa sempre foi a orientação da Igreja Católica, a grande evangelizadora da Amazônia, que nunca descuidou, pelo contrário, introduziu ativamente todos os fatores de civilização material hoje verberados pelo ativismo anarquista, ambientalista e progressista.

O único participante evangélico brasileiro foi o pastor Ariovaldo Ramos, de tendência progressista.

Sônia Guajajara deblaterou contra bancadas ruralista e evangélica
e reivindicou o legado ideológico do PT e do CIMI.
Nesse ambiente, a imensa maioria dos líderes de tendência religiosa conservadora não estava convidada. E nem podia estar, em vista da tendência subversiva da reunião.

O pastor Ariovaldo disse por sua própria conta que “assina embaixo” as críticas de Guajajara às bancadas tripudiadas, mas afirmou que muitos religiosos têm um papel importante de proteção aos povos indígenas.

“Há tribos inteiras evangélicas. Graças a isso, preservaram a sua identidade, a sua língua, a sua cultura e agora têm gerado líderes”, afirmou Ramos.

Não pôde acrescentar as tribos trabalhadas pelo CIMI católico, pois essa dependência da CNBB não quer que índio algum se converta à religião de Nosso Senhor Jesus Cristo, nem nada que se lhe pareça.

No final do encontro, o grupo integrado por representantes de 21 países aprovou declaração para “formar uma aliança internacional multirreligiosa em prol das florestas tropicais, voltada para o cuidado destas florestas e das pessoas que as protegem e habitam”.

As fórmulas arredondadas são para o papel, pois para a vida real ficou valendo mais um apoio à subversão comuno-tribalista e mais um iniciativa contra a soberania do País.

Na mesma Noruega, o presidente Temer foi vaiado por ativistas ambientalistas. O protesto foi uma derivação de dita aliança de indígenas e ONGs europeias que querem tirar do Brasil o livre governo de suas florestas, noticiou “Época”.

O instrumento de pressão do momento é o corte de recursos que o governo norueguês concedia liberalmente sob o pretexto de proteção do meio ambiente amazônico e dos direitos indígenas.

Um esquálido magote de 30 pessoas se manifestou diante da sede do governo norueguês, com cartazes e um coro de “Fora Temer” que soava como estribilho do PT.

Os líderes ambientalistas apontaram seus ataques especialmente para a bancada ruralista no Congresso. “Vemos um constante e sistemático ataque ao meio ambiente nesse governo”, disse a própria Sônia Guajajara.

Participantes protestam contra o Brasil.
Participantes protestam contra o Brasil.
Nesse contexto altamente ideológico as verbas da Noruega são indesejáveis para o Brasil, mas o corte foi deplorado pela agitação comuno-tribalista.

“Muitos grupos indígenas são beneficiados pelos recursos. O corte, portanto, significa o enfraquecimento de iniciativas dos indígenas e problemas para a implementação de gestão territorial”, admitiu Sônia, prevendo uma diminuição da subversão.

Em função de um acordo com a administração petista de 2008, a Noruega liberou mais de US$ 1,1 bilhão, mas nos dois últimos anos reduziu para R$ 196 milhões, alegando o desmatamento, tema que não cabe a governo algum do exterior decidir.

O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, culpou o PT e disse que só Deus poderia garantir que não haverá desmatamento. “Pior que culpa passada é culpa de Deus”, revidou Sônia, salvando o PT e transparecendo um fundo anticristão.

Sarney Filho garantiu a três ONGs norueguesas que não apoiará qualquer redução de áreas de proteção.

Anna Lovold, da ONG Rainforest Foundation, relatou as promessas do ministro, mas manifestou que as ONGs compinchas não têm confiança nessas promessas e por isso promoveram o protesto, aliás pífio.

Ameaçou que se o Brasil não mostrar resultados como as ONGs querem, o Fundo da Amazônia precisa fechar. “Não vamos poder apoiar o fundo”, disse.

Teria sido coerente se reclamasse do BNDES um fundo para proteger as florestas boreais e financiasse a defesa dos direitos dos esquimós, que certamente ninguém acha que estejam em perigo.

O presidente da Rainforest Foundation, Lars Bjordnal, sublinhou o “risco” que há no corte de dinheiro.

Sônia Guajajara é premiada por Dilma Rousseff, Planalto, novembro de 2015 (Foto Valter Campanato-Agência Brasil) Afinidades ideológicas e cumplicidades velhas e profundas.
Sônia Guajajara é premiada por Dilma Rousseff, Planalto, novembro de 2015
(Foto Valter Campanato-Agência Brasil)
Afinidades ideológicas e cumplicidades velhas e profundas.
De fato, o Brasil ficou de mãos livres para decidir sobre seu território, sem a interferência milionária de valores dispostos para uso de grupos de pressão de esquerda, altamente ideologizados.

Simultaneamente, o ministro de Meio Ambiente norueguês, Vidar Helgesen, declarou em entrevista à “Folha de S.Paulo” seu contentamento com a política petista em matéria de desmatamento.

E desqualificou a linha política assumida pelo País após o impeachment de Dilma Rousseff.

“Temos visto – disse – um desenvolvimento preocupante nos últimos dois anos”. “O Brasil tem a maior floresta tropical do mundo. Além disso, dado o progresso da última década, estabeleceu um exemplo para outros países”.

E em referência à escandalosa derrubada do lulopetismo, explicou: “Esperamos que o que vimos recentemente no Brasil não venha a alterar a imagem global de um país bem-sucedido no combate ao desmatamento”.

Também a primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg, “expressou preocupação” com o desmatamento na Amazônia e confirmou o corte do financiamento para a movimentação comuno-verde de pelo menos R$ 166,5 milhões neste ano, acrescentou a “Folha de S.Paulo”.

Rodeada pelo pequeno magote de profissionais da agitação de rua, Sônia Guajajara teria também deplorado que “há no Congresso quase 20 medidas que flexibilizam o licenciamento ambiental. E a gente sabe que o interesse maior é flexibilizar para poder aumentar a expansão da pecuária e das monoculturas”.

Em suma, se as medidas forem aprovadas, o Brasil pode esperar uma melhoria na produção de alimentos, beneficiando as próprias populações indígenas e sua qualidade de vida.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Falsos mitos da fome: o Brasil está alimentando mais de um bilhão de pessoas

A produção de grãos do Brasil é superior a uma tonelada por habitante.
A produção de grãos do Brasil é superior a uma tonelada por habitante.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A produção de grãos do Brasil é superior a uma tonelada por habitante (dados finais de 2015), sendo que um resultado abaixo de 250 kg/pessoa/ano significa insegurança alimentar que conduz a importar alimentos.

Em 2014, um país altamente industrializado como a Coreia do Sul importou US$ 27 bilhões em alimentos, o Japão US$ 68,9 bilhões e a China US$ 105,2 bilhões.

Estes e outros dados impressionantes foram reunidos por Evaristo de Miranda, pesquisador e dirigente da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em artigo publicado  na “Revista Agro DBO”.

Eles desfazem os mitos catastrofistas e miserabilistas do movimento ambientalista-comunista sobre um falso esgotamento dos recursos do planeta, um fantasioso excesso de habitantes e uma pregação eclesiástica comunistoide pela redistribuição da terra e aos recursos naturais.

Já se pode definir a missão do Brasil como sendo a de saciar a fome do planeta, diz Evaristo de Miranda com os aplausos dos nutricionistas. A fome será um problema, mas não do Brasil.

Só a nossa produção de grãos é suficiente para alimentar quatro vezes a população brasileira ou mais de 850 milhões de pessoas.

Mais de 40 milhões de toneladas de frutas por ano. Foto no CEAGESP.
Mais de 40 milhões de toneladas de frutas por ano. Foto no CEAGESP.
Além de grãos, o Brasil produz anualmente cerca de 35 milhões de toneladas de tubérculos e raízes (mandioca, batata, inhame, batata-doce, cará, etc.). Comida básica para mais de 100 milhões de pessoas.

Acrescentem-se mais de 40 milhões de toneladas de frutas, entre as quais 7 milhões de toneladas de banana, ou uma banana/habitante/dia. A laranja e outros citros totalizam 19 milhões de toneladas/ano. E cresce todo ano a produção de uva, abacate, goiaba, abacaxi, melancia, maçã, coco…

Hortaliças?: 10 milhões de toneladas por ano, com uma diversidade impressionante, resultado do encontro da biodiversidade nativa com os aportes de verduras, legumes e temperos trazidos por portugueses, espanhóis, italianos, árabes, japoneses, teutônicos. E por aí vai longe.

Cerca de um milhão de toneladas de castanhas, amêndoas, pinhões e nozes, além dos óleos comestíveis, da palma ao girassol, e de uma grande diversidade de palmitos. E se não bastar, 34 milhões de toneladas de açúcar/ano.

Por isso, o especialista conclui que a produção vegetal do Brasil já alimenta mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo, usando apenas 8% do território nacional.

E depois vem a produção animal. Em 2015, o País abateu 30,6 milhões bovinos, 39,3 milhões de suínos e quase 6 bilhões de frangos. Quer dizer, produziu cerca de 25 milhões de toneladas de carnes!

35,2 bilhões de litros por ano. Gado leiteiro da fazenda Agrindus
35,2 bilhões de litros por ano. Gado leiteiro da fazenda Agrindus
O consumo médio de carne dos brasileiros é da ordem de 120 kg/habitante/ano ou 2,5 kg por pessoa por semana.

Desses, 42 kg/habitante/ano são de carne bovina; 45 kg de frango e 17 kg de suínos, além do consumo de ovinos e caprinos (muito expressivo no Nordeste e no Sul), de coelhos, de outras aves (perus, angolas, codornas…).

Há ainda os peixes, camarões e crustáceos (cada vez mais produzidos em fazendas), além de outros animais.

Em matéria de leite, o Brasil produziu 35,2 bilhões de litros (contra 31 bilhões de litros de etanol); 4,1 bilhões de dúzias de ovos e 38,5 milhões de toneladas de mel em 2015.

Em 50 anos, observa Evaristo de Miranda, de importador de alimentos o Brasil se tornou uma potência agrícola, o preço dos alimentos caiu pela metade, permitindo à grande maioria da população o acesso a uma alimentação saudável e diversificada, e a erradicação da fome.

CNBB, MST e verdes contra a verdade conhecida enquanto tal.
CNBB, MST e verdes contra a verdade conhecida enquanto tal.
Essas realizações são também fruto da modernização agrícola.

O que teria ocorrido na sociedade sem esse desenvolvimento da agricultura? Certamente, uma sucessão de crises intermináveis.

Portanto, devemos agradecer todos os dias aos agricultores pelo seu esforço de modernização e por tudo que fazem pelo País.

A Nação e suas lideranças devem assumir a promoção e a defesa da agricultura e dos agricultores, com racionalidade e visando ao interesse nacional.

Mas, acrescentamos nós, não é isso o que fazem os ativistas embandeirados de vermelho e símbolos socialistas, ou os pretensos arautos “verdes”. 

Nem sequer aqueles órgãos da CNBB criados para subverter a vida nos campos e nas cidades.




quarta-feira, 19 de julho de 2017

Farmácias vendedoras de maconha
na mira dos narcotraficantes

Farmacêuticos uruguaios na mira dos narcotraficantes.
Farmacêuticos uruguaios na mira dos narcotraficantes.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Cinquenta farmácias uruguaias manifestaram no mês de junho (2016) disposição de vender maconha em suas lojas.

Elas acompanharam a decisão libertária do governo do presidente bolivariano e ex-guerrilheiro José Mujica, aprovada em 2012 e ainda em vias de implementação.

Porém, dois anos e meio após a aprovação da lei de produção e comercialização legal da droga, essas farmácias verificaram terem-se metido em uma perigosa enrascada, segundo informou o jornal “Clarín” de Buenos Aires.

O pretexto da imoral lei foi combater o narcotráfico, considerado o principal agente do crescimento da violência e da insegurança. O sofisma aduziu que legalizando a droga se tiraria mercado aos narcotraficantes.

Pois, dizia, os drogados deixariam de frequentar locais onde se comercializa a maconha e outras drogas ainda mais perigosas, locais esses que são cenário habitual de crimes violentos.

Pela lei, os farmacêuticos, proprietários e empregados, deverão dispor de dispositivos de identificação digital dos usuários registrados. Além do mais, devem instalar móveis com dispositivos de segurança longe do público, capazes de armazenar até 2 quilos da folha tóxica.

E aí começam os pesadelos. Pois os atravessadores da droga, responsáveis pelo maior número de mortes, ficariam com a maconha ao alcance da ponta de suas armas, sem precisar procurar mais longe.

Ademais, os farmacêuticos passariam a competir com bandos extremamente violentos que disputam a distribuição da droga, tirando-lhes a clientela das bocas de expedição ilegal controladas por eles.

O preço pago por esse ‘atentado’ às redes criminosas costuma ser extremo e encharcado de cadáveres e sangue.

O atual presidente, Tabaré Vázquez, continuador ideológico de Mujica, manifestou sua preocupação com a perspectiva.

Não há maconha, mas temos chazinhos... : medo toma conta das farmácias
Não há maconha, mas temos chazinhos... : medo toma conta das farmácias
Em entrevista à Televisión Nacional ele reconheceu que “na maioria dos ‘territórios’ (sic!) onde as farmácias vão vender maconha já existem narcotraficantes, e esses são implacáveis se alguém disputa seu negócio. Inclusive entre eles próprios, em ajustes de contas”. E prossegue:

“Suponhamos que o farmacêutico tenha boa saída, e o narco do bairro começa a perder seu negócio de venda de maconha. Certamente vão ir à farmácia e dizer ao dono: 'olha, se você continuar vendendo, isto pode pegar fogo ou você poderá talvez ter um acidente'”.

Tabaré Vásquez insistiu na implementação da lei e prometeu “toda a proteção do Estado aos comercializadores legais. Não podemos ceder ante o crime organizado. Temos de ser fortes”, acrescentou.

Agora, o que a sociedade uruguaia sente na própria pele, julgando-se desprotegida, é precisamente a falta de força do Estado contra o crime organizado.

As lindas promessas dos políticos não vão tirar os farmacêuticos da mira das impiedosas gangues.

Então a lei que fingia ser instrumento contra o narcotráfico assassino e um recurso de paz e segurança, acabará criando o oposto: uma situação insustentável para os farmacêuticos, sujeitos a requintes da criminalidade.


segunda-feira, 10 de julho de 2017

Monumento a Colombo ou a índio
diante da Casa Rosada?

Monumento a Cristóvão Colombo em Buenos Aires
encolerizou Hugo Chávez:
“O que faz ali esse genocida? Ali temos que pôr um índio”
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Nos jardins defronte a Casa Rosada brilhava um belo conjunto escultórico em mármore de Carrara, dedicado ao descobridor da América Cristóvão Colombo.

A artística obra, de 623 toneladas e 26 metros de altura, foi doada em 1921 pela comunidade italiana imigrante. Entalhada na Itália, foi montada em arquitetônica perspectiva entre o palácio presidencial e o Rio da Prata.

Porém, ao vê-la em 2011, o falecido ex-presidente Hugo Chávez exclamou encolerizado:

“O que faz ali esse genocida? Colombo foi o chefe de uma invasão que provocou não um morticínio, mas um genocídio. Ali temos que pôr um índio”, noticiou “Clarín”.

Chávez não disse nenhuma insolência nova. Apenas repetiu um chavão da Teologia da Libertação martelado insistentemente por grupos subversivos contrários às missões católicas e à civilização, como o CIMI brasileiro.

Então no poder, o casal Kirchner, sempre ufano de seu nacionalismo, caiu de joelhos diante da imposição ideológica do ditador comunistoide da Venezuela.

Foram procurar o índio e não o acharam. Escolheram então uma revolucionária que respondia pelo nome de Juana Azurduy de Padilla, para lhe dedicar uma estátua em substituição à de Colombo.

Juana Azurduy, a "india" que substituiu Colombo foi uma rica dama, mas a vulgaridade a transformou nisto por um milhão de dólares.
A "india" que substituiu Colombo foi uma rica dama,
que a vulgaridade transformou nisto por um milhão de dólares.
A inauguração da nova estátua aconteceu não sem polêmica em 15 de julho de 2015, na presença do presidente da Bolívia, Evo Morales, que doou um milhão de dólares para a sua confecção.

Os argentinos ficaram então sabendo que Juana Azurduy de Padilla, segundo a saga esquerdista, fora uma heroína boliviana, “símbolo das mulheres que lutaram pela emancipação do vice-reinado do Rio da Prata”.

Era a “índia” procurada, julgaram todos!

Poucos, entretanto, sabiam que se tratava de uma aristocrática dama que professava os erros vindos de Paris e que estiveram na base da Revolução Francesa. Com suas riquezas, ela acolheu em suas fazendas um exército revolucionário proveniente da Argentina que invadiu a atual Bolívia.

Mas o ódio bolivariano e católico-comunista contra a evangelização de América prevaleceu por cima de qualquer verdade histórica.

Não passou um ano da solene inauguração quando a Comisión Nacional de Museos y de Monumentos não somente constatou que a milionária estátua não era devotada à índia, como também que estava caindo aos pedaços.

A Comissão constatou falhas estruturais nos encaixes, péssima qualidade dos materiais, corrosão e degradação das partes que se esmigalhavam na intempérie, riscos de desabar a má estrutura de 25 toneladas de massa e nove metros de altura.

O monumento populista logo deu sinais de desmanchar.
Foi desmontado antes de desabar. Mais uma realização populista-socialista!
O monstrengo acabou sendo removido aos pedaços e a praça recuperada com um novo espelho de água.

Por sua vez, o monumento de Colombo foi restaurado e ganhou uma localização prestigiosa junto ao Rio da Prata.

O ridículo do ódio igualitário populista-nacionalista contra a evangelização e a civilização de nosso continente, nas quais Colombo foi um instrumento providencial, ficou para sempre registrado na História.

Ódio esse associado visceralmente ao mau gosto, à chulice e torpe extravagância das realizações das esquerdas populistas.



segunda-feira, 26 de junho de 2017

Volta o embargo numa Cuba que cai de podre

O panorama de Havana desde o Manzana é de um imenso cortiço sem esgotos.
O panorama de Havana desde o Manzana: um imenso cortiço sem esgotos.
Luis Dufaur
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Na praça central de Havana há belos bancos de pedra e elegantes palmeiras. Não são da era comunista, mas da anterior. Não se sabe por que desleixo comunista eles não foram demolidos ou derrubados.

No local, reúnem-se carruagens puxadas por cavalos e longas fileiras de vetustos carros coloridos, modelos dos anos 50, um dos poucos atrativos resgatáveis no infortúnio geral.

Equipes de operários dirigidos por engenheiros estrangeiros procuram recuperar hotéis de luxo pomposos, mas abandonados, que o socialismo reduziu a cortiços.

Cuba precisa de dinheiro para não agonizar de vez e quer os dólares dos turistas americanos.

A contração de sua economia, reconhecida pela primeira vez em 2016, acentuou a pressa.

Mas há obstáculos em demasia, observou reportagem do “The New York Times”. Não basta restaurar os imensos hotéis. É que não há redes públicas que funcionem, ou que tenham um mínimo de confiabilidade.

Onde está a água potável, a rede de esgotos funcionando? À generalizada miséria visível acresce-se a falta dos condutos subterrâneos básicos.

O Gran Hotel Manzana Kempinski La Habana é preparado para receber brilhantemente. Mas falham os serviços básicos: água potável, esgoto, força, Internet, etc.
O Gran Hotel Manzana Kempinski é preparado para receber brilhantemente.
Mas falham os serviços básicos: água potável, esgoto, força, Internet, etc.
Pôr em andamento um restaurante de nível internacional é problemático, porque não se conseguem os ingredientes para tornar as comidas palatáveis.

A Venezuela já não fornece petróleo de graça. A Rússia pingou um pouco: perdoou US$ 32 bilhões de dívida impagável e como também precisa in extremis de qualquer dinheiro ocidental prefere correr o risco.

Mas no mercado mundial, é preciso pagar e o governo não tem. Das fortunas pessoais dos ditadores Castro não se pode pensar em tirar nenhum centavo.

Segundo Ministério de Turismo de Cuba, em 2016 ingressaram mais de quatro milhões de turistas, 614 mil dos quais estadunidenses.

Para recebê-los deveria estar pronta a massa de hotéis de luxo restaurados. O primeiro seria o Gran Hotel Manzana Kempinski La Habana, de 246 dormitórios, que ocupa um quarteirão bem central.

Do outro lado da praça está o Hotel Inglaterra, inaugurado em 1875 e que entre outras celebridades hospedou Winston Churchill. Outros hotéis de luxo são administrados pelos grupos internacionais Accor e Iberostar.

O governo é o único dono deles e os disponibiliza para haurir benefícios. El Manzana é coadministrado pelo grupo suíço de luxo Kempinski e o Grupo Gaviota de Cuba.

A boutique é de luxo mas o contexto é degradante.
A boutique é de luxo mas o contexto é degradante.
O pernoite oscilará entre 370 a 660 dólares. O Inglaterra será operado por Marriott International e abrirá em dezembro de 2019.

Os atrasos excessivos se acumulam. Segundo o Programa Mundial de Alimentos, Cuba importa entre 70 e 80% do que come.

E isso não está garantido, o que é catastrófico para qualquer hotel, sobre tudo se for de luxo.

As quedas de energia são frequentes. A conexão com a Internet é uma sorte.

O fornecimento de água potável e os esgotos estão decrépitos. E isto é só um aspecto dos problemas.

Grande parte de Havana sucumbiu na miséria, os prédios ameaçam ruir, as ruas são intransitáveis. É preciso que os turistas não vejam a desdita dos moradores.

E como se tudo isso fosse pouco, o presidente Trump pôs fim ao esbanjamento de dólares sobre a ilha cárcere prometido por Obama.

O presidente retornou, em linhas gerais, ao esquema vigente antes do acordo Fidel-Obama-Papa Francisco, e não permitirá mais relações comerciais com o Exército cubano.

Acontece que esse Exército controla mais do 60% do PIB cubano. E entre suas dependências figuram em destaque os próprios hotéis, fontes principais de moeda estrangeira!

Tudo no Manzana foi feito para 'épater le bourgois', mas faltam os serviços básicos como na cidade toda.
Tudo no Manzana foi feito para 'épater le bourgois',
mas faltam os serviços básicos como na cidade toda.
Como esses estão militarmente controlados, as viagens só podem ser feitas por pacotes turísticos.

As agências de turismo os negociam com as empresas internacionais hoteleiras, sob o olhar dos fardados ávidos da moeda. Não há margem à liberdade de ir e vir em matéria de hotéis.

Se a razoável decisão dos EUA for efetivada, o investimento hoteleiro em Cuba tem  pouco futuro pois a grossa fatia de turistas americanos se encolherá.

Encontrar pessoal disposto a trabalhar no patamar de exigência de hotéis de luxo é uma sorte rara.

A quase totalidade dos cubanos trabalha para o Estado e ganha paupérrimos 25 ou 30 dólares mensais. Mas também já se acostumaram a não fazer quase nada e a “quebrar galho” no mercado negro.

O arquiteto Miguel Coyula explica que “a infraestrutura de Havana está sob uma grande pressão. A chegada de milhões de turistas não vai ajudar a resolver nada”.
A cidade apodrecida pode sucumbir e os turistas estar entre as vítimas dos escombros socialistas. Mas, agora com o retorno parcial do embargo, a situação poderá ficar ainda pior.

Os escombros seguirão caindo, porém os dólares virão em quantias diminuídas.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Francisco I vira as costas para o Brasil e a Argentina e assume liderança das esquerdas

Recebendo Stédile: o Papa Francisco estende a mão para todas as esquerdas
Recebendo Stédile: o Papa Francisco estende a mão para todas as esquerdas.
Mas não quis saber nem do 300º aniversário de Nossa Senhora Aparecida
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O Papa Francisco não viajará ao Brasil e à Argentina em 2017, nem sequer no próximo.

A decisão não caiu bem no ambiente católico brasileiro, que no próximo mês de outubro comemora o terceiro centenário de sua Padroeira, Nossa Senhora Aparecida.

Durante sua visita ao Rio de Janeiro, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, o Pontífice prometera voltar.

Mais inexplicável é sua recusa de visitar a Argentina que o viu nascer, onde transcorreu grande parte de sua vida religiosa, e de cuja capital foi cardeal-arcebispo, além de primaz do país.

É verdade que na Argentina o então cardeal Bergoglio granjeou a antipatia geral da opinião pública.

Ele se engajou tortuosamente na promoção política da esquerda ligada ao governo populista-socialista do casal Kirchner.

Uma vez em Roma, ele também acolheu, na condição de membros laicos de órgãos dele dependentes, conhecidos agitadores esquerdistas ligados ao desprestigiado apparatchik socialista-peronista.

Seu desentendimento com o povo católico argentino tomou grandes proporções pelo seu ostensivo mau humor externado em relação ao atual governo de Mauricio Macri.

Papa Francisco recebendo a ativista argentina Milagro Sala, hoje na prisão por múltiplos processos de corrupção violência e sangue.
Papa Francisco recebendo a ativista argentina Milagro Sala,
hoje na prisão por múltiplos processos de corrupção violência e sangue.
E cresceu pelo acobertamento dado por ele a ativistas opositores, alguns deles presos ou indiciados pela Justiça até por crimes de sangue.

Em abril, segundo escreveu o site Urgente24 com informações vindas da esquerda eclesiástica da Argentina e de Roma, o pontífice cumpriu intensas atividades que incluíram uma visita ao Egito.

Segundo o referido site, voltando do Cairo, Francisco telefonou a Luis Liberman, um velho amigo de religião protestante, diretor-geral da Cátedra do Diálogo e da Cultura do Encontro, ideologicamente afim com a linha do pontificado. A razão foi cumprimentá-lo pelo aniversário.

Liberman lhe pediu que no próximo ano viajasse à Argentina. A resposta foi: “Não está em minha agenda”. Porém viajará ao Chile e ao Peru.

A negativa foi clara, o pretexto não foi convincente, e o anúncio da visita ao Chile piorou ainda mais.

A Santa Sé tentou consertar a informação, mas sem acalmar as especulações já espalhadas, inclusive entre os amigos do pontífice.

Só o governo argentino teria recebido a notícia como positiva, considerando as amizades seletivamente oposicionistas que o pontífice cultiva no país.

A então chanceler argentina Susana Malcorra disse à imprensa: “o Santo Padre foi convidado em reiteradas ocasiões. O convite da Argentina está feito”.

Em Roma, o site Vatican Insider, próximo ao Papa, descreveu o relacionamento do Pontífice com os presidentes brasileiro e argentino sob a manchete “Em rumo de colisão”.

A causa é o fato de as Conferências Episcopais dos dois maiores países sul-americanos terem escolhido uma via de confronto com os respectivos governos.

Após as sucessivas mortes de líderes comunistas e derrotas eleitorais de seguidores, o Papa Francisco foi ficando como o faro que orienta esquerdas sulamericanas.
Após sucessivas mortes de líderes comunistas e derrotas eleitorais de adeptos,
esquerdas sul-americanas voltam-se para o Papa Francisco como para seu farol
O vaticanista Alvear Metalli sublinhou a nota na qual a CNBB critica uma hipótese de reforma da Constituição acenada pelo presidente “porque gera exclusão social e prejudica os setores mais frágeis da sociedade”.

A nota também fez um convite para participar de mobilizações contra o governo.

Não poucos bispos brasileiros, segundo o vaticanista, “foram mais longe e pediram abertamente aos fiéis de suas dioceses que saíssem à rua e aderissem à greve geral”.

Foram os casos do bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda, D. Francesco Biasin, e de D. Fernando Saburido, bispo de Olinda e Recife.

Na Argentina, as críticas da militância esquerdista e de certos bispos se concentraram nas propostas do presidente, especialmente na expulsão dos estrangeiros que cometeram “atos de criminalidade organizada” em seu país de origem. A medida visa conter o narcotráfico.

Outros pontos de colisão foram o projeto visando rebaixar a idade de imputabilidade criminal para 14 anos e uma ação policial que dispersou indígenas que bloqueavam uma linha ferroviária na Patagônia.

Não espanta que pelo menos na Argentina o Papa Francisco seja visto como o principal líder das esquerdas, em crise no continente. E que, em revide, ele não queira nem sequer visitar o país onde nasceu.



segunda-feira, 29 de maio de 2017

Brasil espectador de uma peça onde os atores parecem querer desmontar o teatro

Maio 2017: esquerdistas incendeiam alguns Ministérios em Brasília. Foto G1
Maio 2017: esquerdistas incendeiam alguns Ministérios em Brasília. Foto G1
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





No momento em que escrevo, na Internet está ecoando o último episódio da crise que devora o Brasil.

No momento que terminar, pode ser que tudo tenha mudado.

Oxalá que para melhor. Porém, infelizmente, é mais provável que seja para pior.

E quando o leitor, espectador desta crise como eu, abrir este post, tal vez tenha a mesma sensação de estar num imenso país cuja classe político-midiática-sindical-empresarial conduz erraticamente a algo que dificilmente não será uma caos pior.

Assim, sem ver o fundo do túnel, se é que se pode ver algo, não há o quê prenuncie algo animador.

É para baixar os braços? Desanimar? Há solução? Se há, qual é?

Um bom amigo me passou um artigo. Enquanto o lia sentia que tudo em mim renascia. Tudo se esclarecia. A esperança voltava a brilhar. A força subia.

Quando cheguei no fim, minha decisão estava tomada.

Se no País, houve pelo menos um brasileiro – digo um só – que foi capaz de interpretar a alma nacional e apontar o caminho desse modo, o Brasil vencerá.

Aconteça o que acontecer!

Quero compartilhar esse artigo.

Mas, caro leitor, não se espante!

Ele é de quase exatos 80 anos atrás!

Sim de 30 de maio de 1937! 80 anos! Quando o Brasil discutia como é que seria a sucessão do presidente, que aliás não aconteceu pelo golpe de Getúlio!

Mas ele retrata o fundo mais fundo dos problemas brasileiros. E esses há pelo menos 80 anos continuam sendo os mesmos.

Tal vez se o jovem e insigne autor, que fora eleito deputado da Constituinte, então em vertiginosa ascensão, tivesse sido ouvido, e não enxotado pelo progressismo católico, hoje tudo seria diverso.

Pensei em incluir no post alguma glosa traçando os paralelismos entre os fatos, os nomes e as questões do ano 1937 com os de 2017.

Supérfluo. Sei que o leitor inteligente perceberá logo o que ficou para trás e no que é que o passado se assemelha ao presente.

E perceberá argutamente o fino fundo do que está escrito

Eis o artigo sem mais:


"Minha Vida Pública": uma prodigiosa fonte de informação exclusiva  para compreender a história da RCR no Brasil e no mundo.  828 páginas inéditas disponível na Livraria Petrus
"Minha Vida Pública": uma prodigiosa fonte de informação exclusiva
para compreender a história da RCR no Brasil e no mundo.
828 páginas inéditas disponível na Livraria Petrus


Oitenta anos antes o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira esclarecia:


Não é nossa intenção tratar, neste artigo, da sucessão presidencial, estabelecendo um cotejo, sob o ponto de vista católico, entre os candidatos que se apresentam para disputar a suprema magistratura da República.

Queremos tão somente, à margem dos acontecimentos e sem tomar posição neles, fazer um comentário que se relaciona com os mais altos interesses da vida política do Brasil.

Há duas espécies de atitudes perante a política: a de ator e a de espectador.

Atores são todos os que, direta ou indiretamente, cooperam na preparação dos acontecimentos políticos de que o Brasil está sendo teatro.

Uns desempenham o papel de figuras centrais da tragédia – ou da comédia, se quiserem – representando os papéis mais importantes.

Outros, são meros comparsas que passam rapidamente pelo palco, para desempenhar uma missão pequena e obscura.

Finalmente outros nem aparecem no palco. São os inúmeros empregados que, nos bastidores, levantam o pano, acendem as luzes e cooperam para a manutenção da ordem nas “coulisses” [bastidores].

Na vida política, esta categoria de gente é representada pelos políticos de 3ª importância, que querem furiosamente algum emprego ou alguma pequena suserania municipal e que, sem aparecer no cenário da política, não deixam de ter certa influência, nos bastidores, sobre o curso da representação.

Espectadores são os que não tem interesses pessoais relacionados com a política e que, portanto, não cooperam com a representação da tragicomédia.

Assistem de longe e do alto. Não lhes preocupa, de maneira nenhuma, o formigar das rivalidades e o choque das vaidades nos bastidores.

Só o que lhes desperta interesse é a representação correta da peça e a fiel interpretação dos papéis de cada ator.

Não nos interessam, neste artigo, os primeiros.

Estão com as vistas deslumbradas pela claridade do palco, e com a atenção monopolizada pelos acontecimentos da cena.

São incapazes de vislumbrar o que sente o público distante que, na meia obscuridade, os contempla... e os julga.

O que nos interessa sobremaneira são os espectadores. Porque eles, afinal de contas, são o Brasil.

E os atores do palco não são em geral senão inofensivas marionetes que oscilam do centro para a direita ou para a esquerda, não ao sabor de convicções que lhes faltam, mas ao impulso de dedos quer calçados ora com luvas verdes, vão desenvolvendo gradualmente um jogo que pode parecer moderno, mas que na realidade é muito velho.

Que atitude vem tomando este público em matéria de sucessão presidencial?

A dizer com franqueza, a primeira impressão que se nota, em todos os brasileiros imparciais, é de asco.

Não asco pela pessoa dos candidatos, a quem não queremos negar qualidades.

Mas de asco profundo pela instabilidade das atitudes políticas, pela incoerência flagrante e despudorada entre atitudes da maior parte de seus sequazes, hoje, ontem e anteontem.

A bem dizer, serão pouquíssimas as correntes políticas que não se encontram, agora, em uma situação que condenariam formalmente há dois ou há três anos atrás.

Se, no calor da Revolução de 30 ou de 32, um profeta tivesse descrito de antemão as variações que sofreriam as alianças e as hostilidades que então existiam, todo o mundo se teria rido dele, acoimando-o de louco.

Porque absolutamente não pareceria possível a ninguém que os políticos brasileiros – sobre os quais já não havia, entretanto, grandes ilusões – dessem a seus ressentimentos e a suas simpatias a inconsistência, a mutabilidade, a futilidade de brigas de meninas de colégio; que fossem tão pequeninos na vaidade e tão imensos na ambição, tão corajosos na ganância e tão tímidos no cumprimento do dever.

Esta nota dolorosa não é privativa de uma das correntes políticas. Encontra-se, pelo contrário, em quase todas.

A tal ponto que um vespertino desta capital já chegou a proclamar que, realmente, a corrente política que ele defende é incoerente, porque a política brasileira é feita de incoerências, mas que a incoerência de seus adversários não é menor. No que tem toda a razão.

* * *

Qual é o resultado de tudo isto?

Não é difícil percebê-lo: agonizam nossas instituições, desprestigiam-se os princípios que até ontem eram convicção política unânime (boa ou má, não vem a pelo discuti-lo) dos brasileiros, e decaem irremediavelmente no conceito público quase todos os homens da geração passada, que o Brasil vinha, se não admirando, ao menos tolerando na administração do País.

Como consequência deste formidável desgaste de homens, de instituições e de ideias, uma grande transformação se prepara.

O Brasil aí está, como matéria amorfa, para ser plasmada pela corrente de homens que tenha maior sucesso na tarefa de conquistar o poder em nome de ideias novas.

Significa isto, em outros termos, que o Brasil está no momento em que deverá tomar nova forma.

Se esta forma obedecer à concepção da esquerda, o Brasil será não mais o Reino de Nossa Senhora Aparecida, mas uma China ou um México qualquer.

Se a forma for plasmada por mãos direitinhas, erguer-se-á ante nós o receio do estado totalitário, com o qual a Igreja é incompatível.

Pobre Brasil! Navegando por um mar revolto, parece que está fadado a naufragar de encontro a um destes dois escolhos extremistas: Berlim ou Moscou.

Isto, se não se quiser submergir inteiramente no lodaçal do liberalismo.

Muita gente dirá: entre dois escolhos, convém optar pelo menos mau.

Mas nós perguntamos: não será a mocidade mariana o braço forte com que Nossa Senhora dotou seu Reino na hora do perigo, para derrubar um e outro escolho, e realizar no Brasil a política do grande Dollfuss: uma política tendo por ideal o Catolicismo, como norma de agir o Catolicismo, e como solução para todos os problemas o Catolicismo?

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, “A solução Mariana”, Legionário, N.º 246, in www.pliniocorreadeoliveira.info)


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Biomas preocupam a CNBB,
mas não as dezenas de milhões de católicos
que abandonaram a Fé

Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, São Cristóvão. Abandonada como muitas outras, mas o que importa é o bioma!
Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, São Cristóvão.
Abandonada como muitas outras, mas o que importa é o bioma!
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A Campanha da Fraternidade de 2017 abordou mais uma vez a questão ambiental, como já fez em edições anteriores. O tema foi “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”.

Quando falei isto a meus amigos, aliás muito enfronhados na problemática ambientalista brasileira, iniciou-se uma conversa amável que degenerou na máxima confusão.

Afinal de contas o que e que é a CNBB entende como bioma e o que tem a ver essa campanha com a religião católica, perguntavam todos.

Por isso quando vi o artigo “Biomas brasileiros — cultivar e cuidar” do Emmo. Cardeal arcebispo de São Paulo D. Odílio Scherer, achei que iria a ouvir algo bem definido e esclarecedor.

E acabei estarrecido pela radicalidade dos propósitos expostos com dulçurosa redação.

A escolha do tema foi influenciada, escreveu o prelado, pela encíclica ‘Laudato si’, do papa Francisco (2015).

Voltou-me à mente a euforia das esquerdas latino-americanas mais extremadas com dita exortação.

Veja: Encíclica Laudato Si’ causa perplexidades entre os católicos e regozijo nos extremismos de esquerda

Mas, o alto eclesiástico, explicou que a CNBB com essa campanha na Quaresma visou convidar os cristãos a refletirem sobre as implicações da sua fé em Deus.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Lançamento de “Utopia igualitária” do presidente do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira -IPCO

O presidente do IPCO durante sua palestra no clube Homs








O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira reuniu no dia 16 de março p.p. seleto público no auditório do Clube Homs, na Av. Paulista (SP), para conferência e lançamento do mais recente livro de seu presidente Dr. Adolpho Lindenberg, Utopia igualitária – Aviltamento da dignidade humana.

No início da sessão, Dr. Eduardo de Barros Brotero, diretor do Instituto, saudou o autor, lembrando que Dr. Adolpho não apenas conviveu, mas colaborou muito proximamente com seu primo Plinio Corrêa de Oliveira, tendo haurido dele preciosos conhecimentos e exemplos de vida.

Recordou também que Adolpho Lindenberg, com a construtora que leva seu nome, restaurou o estilo neoclássico na arquitetura, além do colonial para as residências em São Paulo.

Sublinhou como o Dr. Adolpho soube salientar o papel primordial das tendências na conduta dos seres humanos, imortalizando a grife Lindenberg em prédios de apartamentos que pontilham a capital paulista.

Por sua vez, Adolpho Lindenberg afirmou ser o decano naquele auditório, mas que procuraria contrastar com a suma atualidade de palestras curtas, rápidas e sintéticas.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Do “acordo de paz” às guerras civis latino-americanas? Seremos os primeiros?

Guerrilheiro das FARC num acampamento em Antioquia (Colômbia) PCC quer recrutá-los pela sua experiência em armas pesadas.
Guerrilheiro das FARC num acampamento em Antioquia (Colômbia).
PCC quer recrutá-los pela sua experiência em armas pesadas.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O badalado “Acordo de Paz” da Colômbia poderá passar para a História como o ponto de partida da generalização das guerras civis no continente latino-americano.

Membros das Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colômbia (FARC) estão se espalhando pelo continente, oferecendo seus préstimos, experiência bélica e conhecimentos do narcotráfico a países vizinhos.

A maior organização criminosa do Brasil está recrutando, segundo o The Wall Street Journal, pessoal especializado em armas pesadas e técnicas guerrilheiras para expandir seu domínio do tráfico de drogas na América Latina, segundo investigadores colombianos e brasileiros.

Funcionários dos Ministérios de Defesa e Relações Exteriores do Brasil e da Colômbia trocaram informações em Manaus sobre a procura de guerrilheiros na Colômbia praticada pelo bando criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo.

“O PCC esta oferecendo empregos às FARC”, disse o ministro de Defesa colombiano, Luis Carlos Villegas.

O alistamento do PCC acontece num auge de produção de coca no país vizinho. A produção de cocaína teria crescido 46% entre 2014 e 2015, anos sobre os quais a ONU dispõe dos mais recentes dados.